Por: Andréa Leonora

Santa Catarina se destaca no cenário nacional como o maior produtor de pescado do Brasil, seja de peixe proveniente de pesca extrativista, nos mares e dos rios, ou criados em cativeiro, como as tilápias e trutas.

De acordo com o Centro de Socioeconomia e Planejamento Agrícola (Epagri/Cepa), somente com a criação de tilápias estão envolvidas mais de 32 mil famílias de agricultores que fornecem ao mercado e aos pesque-pagues quase 34 mil toneladas anuais, tornando o estado o terceiro maior produtor dessa espécie no país.

 

Tilápias | Foto: Portal Embrapa

 

A truta é outro peixe de destaque catarinense. Terceira espécie na produção em cativeiro no estado, com 1,2 mil tonelada por ano, com 82 criadores registrados, a truta está prestes a conquistar o mercado mundial.

A reportagem da Agência AL percorreu os municípios de Painel, Lages, Gaspar, Itajaí e Joinville e testemunhou o esforço das entidades públicas, privadas e da Comissão de Aquicultura e Pesca da Assembleia Legislativa para fortalecer a produção de tilápias e trutas.

O resultado você confere também aqui, no SCPORTAIS.com.br, que, em parceria com a Assembleia Legislativa, está divulgando o material. A série de reportagens destaca o potencial deste importante segmento, mais uma alternativa na já super diversificada economia catarinense.

 

Tilápia conquista paladar e lidera mercado em Santa Catarina

 

 

A produção de peixes avança em Santa Catarina e ganha relevância na economia do estado. O grande destaque na piscicultura catarinense é a criação de tilápia (Oreochromis niloticus), cultivo que ocupa mais de 32 mil famílias de agricultores, as quais fornecem ao mercado e aos pesque-pagues quase 34 mil toneladas de peixe por ano, tornando o estado o terceiro maior produtor da carne no Brasil.

Com a proposta de apoiar o desenvolvimento da piscicultura, a Comissão de Aquicultura e Pesca da Assembleia Legislativa tem trabalhado para unir e fortalecer produtores, sindicatos e associações municipais e regionais, além de incentivar a prática de inserir o peixe na alimentação escolar e em outros programas do poder público, estimulando a exportação da tilápia e outras espécies criadas em cativeiro.

 

Deputado Felipe Estêvão é um dos maiores apoiadores da atividade | Foto: Agência AL

 

O presidente da comissão, deputado Felipe Estevão (PSL), filho de pescadores da região de Laguna, afirma que a atividade vem crescendo anualmente e que a piscicultura, com apoio da Epagri e instituições de ensino superior, tem se desenvolvido, favorecendo os produtores e os consumidores com produtos ricos em minerais, vitaminas e ômega 3, uma gordura boa para o organismo e que protege o coração. Estevão acrescenta que a tilápia, o peixe mais cultivado em Santa Catarina, representa 74% da produção de peixes de água doce. “Temos tudo para crescer na produção e consumo desta carne, por isso temos desenvolvido esse trabalho de fortalecimento de toda a cadeia produtiva do peixe.”

A produção em cativeiro permite a uniformidade do tamanho, padronização muito apreciada pelo varejo. Outra vantagem na criação da tilápia em relação aos peixes oriundos da pesca extrativista é a continuidade no fornecimento. A atividade pesqueira possui entressafra ou períodos de defeso, em que os peixes não são capturados, enquanto isso, a piscicultura possibilita o fornecimento constante de peixe fresco o ano inteiro.

O deputado diz que vem conversando com o governador Carlos Moisés e com prefeitos para incentivar a colocação do peixe na alimentação escolar e em outros programas do poder público. E acrescenta que a Assembleia Legislativa aprovou em 2016 uma lei que incluía a carne da tilápia, produzida e processada industrialmente em Santa Catarina, na alimentação fornecida pelas escolas estaduais, mas a lei acabou sendo vetada por não ser possível obrigar a adoção do consumo. A partir disso, vem sendo desenvolvido um trabalho de incentivo para que as prefeituras adotem a medida e que o poder público estadual inclua o peixe em outros programas.

Atualmente, os municípios de São Ludgero, Navegantes, Armazém, Gaspar, Campos Novos, Rodeio e Pouso Redondo oferecem a tilápia na alimentação dos estudantes, enquanto outros estão se programando para implantar a medida. A partir deste mês, Joinville também vai destinar cinco toneladas de tilápia, ao longo do semestre, para 161 postos de entrega, entre escolas municipais e áreas administrativas, devendo ampliar esse número a partir de janeiro de 2020.

“Tudo isso se deve ao incremento em tecnologia de produção com aeração mecânica, alimentadores automáticos, biorremediadores, melhoria genética dos peixes e melhoria da qualidade das rações fornecidas aos peixes. O apoio a toda a cadeia produtiva do peixe e o aumento da conscientização da importância de consumir a proteína vem permitindo esse desenvolvimento da piscicultura catarinense”, analisa Felipe Estevão.

 

Mais mercado

 

Foto: panoramadaaquicultura.com.br

Uma das iniciativas que deve ser seguida por mais empresas no Estado é a decisão da Cooperativa Central Aurora, que no ano passado colocou no mercado um novo produto, o filé de tilápia sem pele. A Cooperativa compra cerca de cinco toneladas diárias do pescado para atender a demanda, só que o produto vem do Paraná, maior produtor da espécie do Brasil. A intenção de Estevão é que a Comissão da Pesca e o governo estadual criem as condições políticas e fiscais para que os produtores catarinenses também possam fornecer tilápia à cooperativa e a outras empresas.

Para o deputado, com uma maior oferta de proteína oriunda de peixes, em decorrência das políticas públicas de incentivo à produção e consumo, os preços ao consumidor final devem ficar mais estáveis e até apresentar um viés de redução, principalmente pelo aumento da competição nas gôndolas dos supermercados. Ele acredita que o aumento do consumo por parte dos estudantes, com a inclusão da tilápia na alimentação escolar, pode incentivar os pais e familiares a também aumentarem a compra do produto nos mercados.

Para o futuro, Estevão diz que há planos para estimular a exportação da tilápia, situação que já estaria prestes a ocorrer com a truta produzida na Região Serrana e no Litoral Norte do estado. Para isso, ele defende uma maior organização das associações, profissionalismo na produção e incentivos maiores às pesquisas desenvolvidas pela Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri), que realiza trabalho de melhoramento genético da espécie no estado, fornecendo matrizes para criação de alevinos para várias regiões do Brasil.

 

Leia muito mais sobre o tema clicando nos títulos abaixo:

 

Truta catarinense ganha territórios rumo à União Europeia

Associação aposta no crescimento da demanda

Genética da tilápia é um dos segredos da qualidade

Joinville adota tilápia na alimentação escolar

Do peixe à fabricação de cerveja em Gaspar

A força da truta nos tanques de alvenaria catarinenses

Agricultores investem em truta na Região Serrana

 

Acesse algumas receitas:

Tilápia

Truta

 

Expediente:

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