Por: Ewaldo Willerding

Há dez anos, em dezembro de 2010, a SCGÁS dava o primeiro passo para consolidar um dos maiores projetos de infraestrutura de rede de distribuição de gás natural do país com a assinatura do contrato do primeiro trecho de obras do chamado “Serra Catarinense”, considerado na época um projeto ousado por sua amplitude e desafios técnicos e de engenharia, considerando a geografia catarinense.

O ato de assinatura foi realizado em Rio do Sul, no Alto Vale do Itajaí, com a presença do então Governador do Estado, Leonel Pavan e do presidente da empresa, Ivan Ranzolin. O projeto ganhou destaque nacional pelos números expressivos: o objetivo de atender 16 novas cidades com a implantação de 230 quilômetros de redes de gasodutos.

Durante sua primeira década de operação, de 2000 a 2010, a SCGÁS priorizou o desenvolvimento da infraestrutura e a captação de mercado na vertente atlântica catarinense, região onde o Gasoduto Bolívia-Brasil (Gasbol) havia sido recém implantado e se concentrava os principais ramos produtivos do Estado. O Serra Catarinense foi idealizado a partir da necessidade de expandir a oferta do gás natural para regiões mais distantes do litoral, estratégia adotada e defendida pela distribuidora com o objetivo de ajudar a enfrentar a desigualdade regional e promover uma melhor equalização do desenvolvimento socioeconômico no Estado.

“Houve um trabalho institucional de aproximação com associações empresariais, a prospecção comercial e um esforço da SCGÁS para apresentar possibilidades de aplicação do gás natural aos potenciais mercados consumidores. Isso garantiu a mobilização das comunidades para que o projeto pudesse ser bem estruturado e executado com sucesso”, lembra Walter Piazza, que foi Diretor Técnico-Comercial da SCGÁS de 2004 a 2011.

Ilustração SCGÁS

O traçado definido pela Companhia considerava o início do gasoduto em Indaial, seguindo para os municípios de Rodeio, Ascurra, Apiúna, Ibirama, Lontras, Rio do Sul, Laurentino, Agronômica, Trombudo Central, Pouso Redondo, Ponte Alta, Otacílio Costa, Palmeira, Correia Pinto e por fim Lages. Desde o início das obras já foram investidos mais de R$ 130 milhões para implantação de quase 100 quilômetros de rede de distribuição – a rede está terminando de ser implantada atualmente em Pouso Redondo.

“O Projeto Serra Catarinense foi uma ousadia. Para levar o gás ao interior do Estado era preciso construir um gasoduto que desse conta de transportar volumes significativos. Superamos dificuldades técnicas, como atravessar rios, e financeiras, equilibrando o orçamento da Companhia para que as obras continuassem mesmo durante a crise econômica que atingiu o país em meados de 2013”, recorda Cósme Polêse, que foi Presidente da empresa de 2011 a 2019.

Com o lançamento do maior pacote de obras da Companhia no ano passado, a expectativa é de que até 2025 o gasoduto chegue a Lages com o aporte de R$ 110 milhões em investimentos para implantação de mais de 100 quilômetros de novas redes.

Foto Divulgação/SCGÁS

Para o atual Presidente da SCGÁS, Willian Anderson Lehmkuhl, esses investimentos traduzem a importância da empresa para Santa Catarina:

“A SCGÁS é acima de tudo uma prestadora de serviços públicos e o Serra Catarinense mostra sua capacidade de levar infraestrutura para pontos tão distantes, mesmo com todos os desafios técnicos e comerciais. Temos como meta acelerar os investimentos para que cada vez mais novos mercados sejam beneficiados com o uso deste energético que contribui para o aumento da produtividade, para a geração de emprego e renda e, consequentemente, para a melhoria da qualidade de vida dos catarinenses.” 

Pelo Estado