Por: Andréa Leonora

No próximo dia 21, exatamente às 18 horas, Cleverson Siewert vai se despedir da presidência da Celesc e da companhia que presidiu durante quase oito anos. O anúncio já foi feito, o mercado está ciente, mas, longe de se acomodar com a proximidade das férias de dois meses que pretende tirar, ele mantém o ritmo que se impôs durante todo o período dedicado à maior empresa do Estado. Sistemático, chega às 8 horas da manhã e sobe até sua sala pelas escadas, dispensando o elevador. No breve percurso, o engenheiro civil deixa de lado a frieza dos números e se concentra em uma oração de agradecimento pelo dia anterior e pelo novo dia de trabalho que vai iniciar. É um dos primeiros a chegar, um dos últimos a sair, final de semana e dias úteis têm o mesmo valor para ele e férias é algo que há anos desconhece. Resumindo: seu lema foi dedicação total à Celesc. Por muitas vezes Siewert foi personagem da Pelo Estado Entrevista/SCPortais, além de inúmeras notas e matérias publicadas pelos veículos impressos e digitais da rede ADI-SC/CNR-SC/SCPortais. Em mais esta entrevista, muitas vezes interrompida para que tomasse fôlego e controlasse a emoção, Cleverson Siewert fala de ações e dos resultados alcançados, das decisões nem sempre fáceis e do reconhecimento que a Celesc conquistou no mercado, na sociedade, nos meios político e institucional catarinense. Sai do comando da Celesc como um Pelé – em seu melhor momento

 

SCPortais – Como seu sucessor receberá a Celesc?

Cleverson Siewert – Nós acabamos de publicar os resultados do terceiro trimestre e com um resultado ainda melhor que o de 2017. Nosso Ebitda (lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização) cresceu 17% e nosso lucro cresceu exponencialmente, quase 200%. O que explica esse salto é que no ano passado tivemos que fazer a provisão de um litígio com a Aneel (Agência Nacional de Energia Elétrica), o que baixou o lucro de 2017. Mas a companhia está num crescente do ponto de vista econômico-financeiro e as mudanças efetivadas por nós dentro da Distribuidora, que é o nosso maior negócio, responsável por 90% do faturamento por 95% do lucro da companhia, foram acertadas.

SCPortais – Sai satisfeito?

Siewert – Saio muito orgulhoso dos resultados alcançados, porque ficou claro que, mesmo sendo uma companhia pública, com DNA público, nós podemos fazer o melhor, nós podemos entregar o melhor, tanto que nós estamos entre os Top 3 do Brasil e da América Latina na satisfação do consumidor. Isso não vem de graça. Isso vem com trabalho.

SCPortais – Que mudanças foram essas?

Siewert – Têm a ver com o custeio da companhia. Dois foram os movimentos fundamentais. O primeiro, benchmarking, ou seja, nós nos compararmos com o mercado; segundo, nossa tecnologia de OBZ (Orçamento Base Zero). Esses dois princípios nos permitiram enxergar o custeio como se dava e melhorar o processo. Hoje estamos adequados ao órgão regulador e temos segurança sobre o que estamos fazendo.

SCPortais – A folha de pagamento sempre foi uma preocupação. Como vai deixar essa questão?

Siewert – O custo de pessoal é uma questão muito delicada. Mas aí também tomamos uma série de medidas, como o controle de verbas variáveis, um valor que sempre foi significativo e que hoje está controlado. Falo de horas extras, sobreaviso e periculosidade, principalmente. Nós criamos controles e critérios para a concessão de cada benefício. Se pegarmos os números de 2011 e 2012 e projetássemos para o período de 2013 a 2018, tivemos uma economia de R$ 100 milhões só com esse maior controle. É muito dinheiro! Um terço­­­­ do investimento médio anual!

SCPortais – Aconteceram outras mudanças no setor de pessoal?

Siewert – Sim. Firmamos um Acordo Coletivo de Trabalho, resultado de uma série de negociações e com cortes efetivos. Cortamos benefícios. Olha que coisa maluca! Cortar benefícios no setor público parece uma coisa difícil de fazer. E é. Mas nós conseguimos. Os empregados e os sindicatos entenderam que, ou a gente perdia os anéis ou perdia os dedos. E todo mundo contribuiu. Cortamos anuênio, gratificação diferenciada de férias, gratificação de 25 anos, benefícios pós-emprego, ou seja, quem entra na Celesc a partir de 2013 já não leva uma série de benefícios para a aposentadoria. Mas nós somos garantistas. Quem estava na empresa naquele momento, não perde nada. Quem entrar dali para frente, vai se enquadrar a esse novo modelo.

SCPortais – O que isso representa?

Siewert –  Foram cortes bastante significativos e que trazem sustentabilidade para a companhia.Com os PDIs tiramos da empresa, nesse período, 1.100 pessoas e, sobre este número, fizemos 40% de novas efetivações, sob as novas regras e com salários menos onerosos. Conseguimos mudar também o nosso Plano de Cargos e Salários e o nosso Plano Previdenciário. Isso faz com que uma pessoa que entra hoje na companhia, receba 30% dos ganhos de outra que entrou antes dessas mudanças. Não adianta fazer PDI, chamar menos gente, mas com a mesma sistemática de remuneração, porque em pouco tempo a folha volta a inchar. É um ciclo interminável e insustentável. Em 2011, nosso PMSO, quer dizer, o custo de Pessoal, Materiais, Serviços e Outros, que é o custeio da Celesc, regulado pela Aneel, era cerca de 30% maior do que o limite apontado pela Agência. Em 2018, estamos equacionados. Uma coisa que parecia absolutamente impossível e nós conseguimos cumprir ao deixar a companhia. Mais do que isso, a tendência é de uma curva descendente. Daqui a dois, três, quatro anos devemos ficar 10% ou 15% abaixo do limite determinado pela Aneel. O que provamos com isso? Que mesmo sendo uma empresa pública, é possível fazer, é possível ajustar.

SCPortais – Como conseguiu realizar tantas mudanças em uma empresa consolidada e com seus próprios paradigmas?

Siewert – Se a gente fosse olhar um pouco do histórico do que foi feito ao longo desses anos todos, eu teria que fazer pelo menos quatro grandes menções para falar da Celesc de hoje. A primeira, uma decisão importantíssima, que foi a convergência de esforços. Todo mundo na companhia, os acionistas, o Conselho de Administração, a Diretoria Executivo, movimento sindical e corpo sindical, entendeu que precisava focar em um mesmo ponto em favor da Celesc. Segundo ponto de destaque são os investimentos, com média anual nesse período de cerca de R$ 300 milhões em investimentos no sistema elétrico. É um valor bastante significativo. Isso fez com que nosso sistema seja hoje muito mais robusto e confiável. Como resultado, os nossos dois principais indicadores – número de vezes e número de horas sem energia (DEC e FEC) -, melhoraram em torno de 30% nesse período. É um ganho de produtividade bastante grande. Estamos falando de obras e de tecnologia colocada na rede, o que naturalmente leva a sociedade a enxergar um serviço melhor.

SCPortais – Quais as outras menções?

Siewert – O terceiro destaque é o investimento na área Comercial. Fizemos cerca de R$ 50 milhões por ano nesse segmento, sempre com o objetivo de entender a necessidade do cliente para ter uma aproximação com o que ele de fato precisa. E eu cito como grande exemplo a nossa área de internet. Até quatro anos atrás nós não atendíamos por este canal e, hoje, 65% dos nossos atendimentos são na internet. Uma transformação gigante no modelo de gestão da companhia e que tenho certeza que colabora para os níveis de aceitação que a Celesc tem hoje. Não adianta ter um sistema bom se, quando há falha, as pessoas não conseguem acessar a empresa. E hoje é muito fácil acessar a empresa, tanto que o nosso call center é o melhor do Brasil. Estamos disponíveis em várias plataformas com informações adequadas. A quarta e última menção é sobre a nossa Comunicação. Interna, com os funcionários, e externa, com a sociedade. Nesses oito anos, a Celesc passou a ser percebida de uma forma diferente. Não é apenas e tão somente uma empresa de poste, cabo e transformador. É uma empresa que se preocupa com a sociedade, que dá retorno e cria um ambiente muito melhor.

SCPortais – O que mudou na percepção da sociedade?

Siewert – A governança, a transparência e a boa gestão passaram a ser valores da Celesc percebidos com muita clareza. Ajudaram nisso também os bons projetos que efetivamos na área socioambiental. Quero falar especificamente da transparência. Eu aprendi com o Luiz Henrique (da Silveira, ex-governador e ex-senador de Santa Catarina, falecido em maio de 2015) que não basta ser honesto. É preciso mostrar que é honesto. Por isso a gente sempre teve muita clareza na conversa com a sociedade e com o mercado, muita transparência na conversa com os empregados e a imprensa. Os dados sempre estiveram disponíveis. Fomos a primeira distribuidora de energia do Brasil a abrir o sistema elétrico em tempo real para quem quisesse acessar. Foi uma quebra de tabu aqui dentro, por determinação minha. E foi muito legal! Hoje todo mundo vê que nosso sistema é bom pra caramba! Isso deu tranquilidade. A soma de todo esse esforço nos trouxe excelentes resultados através de reconhecimento, da sociedade e do mercado.

SCPortais – De que forma?

Siewert – Mantivemos o Índice de Sustentabilidade Empresarial, que mede boa governança, por dois anos consecutivos. E esse índice só engloba 33 empresas no Brasil! As nossas ações em bolsa de valores têm valorizado muito mais do que o Ibovespa e do que o Índice de Energia Elétrica. Tivemos a entrada de um grande player, que foi a EDP, mostrando que o mercado aplaudiu nossa gestão. E, do outro lado, a sociedade. Foi impressionante a quantidade de prêmios que a Celesc conquistou, sobremaneira aqueles que mostram a satisfação do consumidor. Hoje, nós estamos entre as Top 3 em satisfação do consumidor do setor, seja em nível nacional ou internacional. Isso, para mim, é o maior reconhecimento de que o trabalho feito foi bom. A empresa alcançou uma condição econômico-financeira bastante boa, tecnicamente é respeitada… ou seja, a Celesc mudou seu padrão, seu patamar. Um legado para o qual eu acho que dei minha contribuição, mas a construção foi de todo mundo que está aqui dentro, por uma nova vontade de acertar.

SCPortais – Os governadores do seu período mais atrapalharam ou mais ajudaram?

Siewert – Ajudaram e muito. Porque nos deram autonomia. A preocupação deles, do Raimundo (Colombo) e doo Eduardo (Moreira), sempre foi a boa gestão da companhia e nos deixavam livres para que tomássemos as melhores decisões, sem qualquer tipo de solicitação ou ingerência política, um fator fundamental para o sucesso eu alcançamos.

SCPortais – Mas essa confiança só veio depois das primeiras mudanças.

Siewert – Nós construímos as bases para nossos objetivos e estes eram muito claros. Lá em 2011, 2012 promovemos a mudança do Estatuto, que trouxe o Plano Diretor – refletindo em novos negócios, em eficiência operacional, em meritocracia e em metas estipuladas pela renovação da concessão -, e o Quórum Qualificado. O governo do Estado teve uma decisão muito corajosa que, na prática, foi abrir mão da gestão da companhia. O Quórum Qualificado significa que são necessários dois terços dos votos para aprovar as principais matérias e o governo não tem esse índice, o que nos obriga a estar sempre alinhados com os minoritários, ou não se faz nada. Isso profissionalizou a gestão da Celesc e mostrou para a classe política, que obviamente interage com a empresa, que as decisões teriam que ser cada vez mais técnicas. E a forma coerente como eu, pessoalmente, conduzi alguns assuntos: “Senhores, é possível fazer isso, mas não desse jeito e sim daquele”. Fui um algodão entre os cristais – o mundo público, o mundo privado e o mundo político. Com isso, chegamos a um momento diferenciado, de acordo com o que o governo, acionista majoritário quer, os minoritários absolutamente satisfeitos, quem recebe o serviço, tanto a sociedade quanto o setor produtivo, também percebe a evolução. Eu sei, e é claro para a Celesc, que ainda existem deficiências. Mas uma empresa de R$ 11 bilhões (faturamento anual) não se muda da noite para o dia, ainda mais sendo uma empresa pública, com uma série de regulamentações. É preciso um processo contínuo de melhoria.

SCPortais – O legado que o senhor deixa é positivo?

Siewert – Bastante positivo. Mais que isso, é aprumado. A trilha está montada. Quem vier vai poder seguir por esse caminho, ainda que incrementando com a sua visão dos negócios, com seu entendimento de mercado. Mas as bases estão consolidadas. Eu não acredito que alguém possa chegar aqui e simplesmente mudar tudo. Essa é uma preocupação de agentes do mercado. Mas as mudanças precisam de aprovação da Assembleia Legislativa, dos acionistas, do Conselho de Administração. É um rol de amarras feitas que dá o Norte.

SCPortais – Já tem um indicativo de quem possa ser seu sucessor?

Siewert – Não. Nós, aqui na Celesc, em relação à transição, ainda não fomos chamados. Estamos aqui aguardando para poder contribuir e fazer com que o novo governo seja tão exitoso quanto foram os governos passados. Afinal de contas, Santa Catarina é o que é muito pela iniciativa privada, pela força, pelo trabalho e pela garra das pessoas, mas também pelas boas gestões feitas, independentemente de coloração partidária.

SCPortais – No seu período como presidente, quais as obras de destaque?

Siewert – Muitas. Muitas. Foram R$ 800 milhões na alta tensão, mais R$ 800 milhões na média e baixa tensão. Foram 70 subestações… bastante coisa. Mas eu diria que o grande salto foi em tecnologia. Novas formas construtivas, por exemplo. A gente já sabe que 35% das vezes em que há queda de energia é por objetos lançados na rede, sobremaneira vegetação. Para evitar o problema, instituímos a lógica do cabo protegido. Embora seja duas vezes mais caro do que o cabo convencional, nossas obras de redes são feitas com cabo protegido. Se o galho bater na rede, não vai mais acontecer o desligamento e a falta de luz. Estamos no início. Temos 180 mil quilômetros de rede e somente 10% ou 15% sob essa nova forma construtiva, um processo que começou e que não para mais.

 

SCPortais – O senhor falou muitas vezes dos avanços na automação do sistema.

Siewert – Outro avanço importante. A Celesc tem 1.800 religadores na rede, sendo 1.300 são trifásicos e 500 monofásicos. Quando a gente entrou aqui, em 2011, tínhamos no máximo 100 religadores e que não eram telecontrolados, como os atuais. Isso significa dizer que por meio de um controle remoto eu consigo remanejar carga automaticamente. Isso e todas as obras feitas contribuíram para os 30% de melhoria nos indicadores de DEC e FEC. A tecnologia, tanto na área finalística, de sistema, quanto na área comercial, talvez tenha sido o grande legado, a grande obra, o grande estímulo que eu posso ter deixado aqui na companhia. Sempre fui muito adepto à inovação, a novas lógicas. E isso flui bem aqui.

SCPortais – Que desafios ficarão para seu sucessor?

Siewert – À frente de qualquer coisa é a manutenção da concessão. É nosso item fundamental, o que exige que a Celesc esteja tecnicamente preparada e economicamente sustentável. Esse processo parede simples, mas se, em um ano, a coisa correr frouxa, degringola de novo. Manter o foco é essencial e aí a governança que instituímos pode ajudar. Do ponto de vista prático, digo que ainda podemos melhorar a produtividade em campo. É claro que o serviço melhorou, até porque investimos mais, porque aplicamos mais tecnologia e porque temos gente preparada trabalhando. Mas podemos ser mais produtivos do ponto de vista da locação das equipes em campo, por exemplo. Gestão. Analytics. Temos muitos dados que agora precisam ser transformados em informação e aplicados de forma mais apropriada no campo.

SCPortais – Mas os desafios não cessam aí.

Siewert – Tem pelo menos mais dois: nosso nível de perdas e nosso nível de inadimplência. Em inadimplência o nosso índice é muito bom. Somos referência nacional. Em perdas também somos referência nacional, só que as nossas perdas estão R$ 70 milhões/ano acima do regulatório. Temos que coibir isso e a meta é zerar esse volume em até três anos, voltando para dentro do que é regulado. Já estão sendo feitos investimentos, mas não é uma coisa simples. Estamos falando dos gatos, as ligações clandestinas, e a gente percebe cada vez mais, do ponto de vista econômico, do desemprego, a sociedade sofrendo e quando a sociedade sobre ela lança mão de recursos não adequados. É um controle que não depende só da Celesc, mas de uma conscientização coletiva e de uma ajuda dos serviços de segurança pública, de responsabilidade socioambiental, das prefeituras… é um conjunto de esforços. E tem mais um grande desafio…

SCPortais – Que é…

Siewert – No nosso Plano Diretor nós temos a lógica dos novos negócios. Nós queremos e buscamos novos negócios. Participamos de leilão e chamadas públicas, que é uma forma. Mas eu vejo claramente que grandes empresas de energia, distribuidoras como a Celesc, compram outros negócios. Nós não nos apercebemos disso e tentamos construir novos negócios, o que é mais difícil. A nova gestão poderia ir para o caminho de compra de novos ativos, conforme o planejamento. Quero entrar na área de iluminação pública, ou de eficiência energética, ou de comercialização. Então compra uma empresa pronta, agrega a marca Celesc e já sai faturando. É observar o que os outros estão fazendo e copiar o que está tendo sucesso.

SCPortais – Vai deixar pronta a projeção de investimentos para 2019?

Siewert – Queremos deixar o orçamento aprovado. Estamos em fase de discussão de todos aqueles instrumentos de governança ditados pelo Estatuto Social, que são o orçamento de despesas e de investimentos, e o contrato de gestão e o acordo de desempenho. Isso não é invadir a nova gestão. É uma regra estatutária que nós vamos cumprir. Naturalmente, quem entrar vai ter seu olhar próprio sobre o planejado, que está alinhado com aquilo que vem sendo feito ao longo desses oito anos.

SCPortais – Mantém a média de investimentos?

Siewert – Não posso falar sobre isso antes da aprovação, mas acredito que haverá um incremento porque nós temos o financiamento BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento). Um trabalho de quase três anos, muito bacana, que contou com a participação de vários atores – governo do Estado, Assembleia Legislativa, nosso corpo funcional. É um financiamento diferenciado e, por conta dele, nós estamos projetando um investimento um pouco maior a partir do ano que vem. Quanto mais eu fizer, mais dinheiro volta. É bom para a sociedade e é bom para a companhia. Todas as licitações estão sendo feitas esse ano para que a gente possa entrar em 2019 a todo vapor. Principalmente em alta tensão – linhas e subestações. Essa sempre foi uma área mais complexa, mais delicada, e na qual nós devemos praticamente dobrar o valor investido no ano que vem sobre a média anual que temos hoje.

SCPortais – O que fica da Celesc para sua história pessoal?

Siewert – Desse processo todo, o mais importante, pra mim, do ponto de vista do suporte ao Cleverson presidente, foi o apoio que eu sempre tive das instâncias de governança da companhia, Conselho e Administração e o próprio acionista majoritário, que é o governo do Estado. Aprendi a entender as vontades e os contextos de cada um para fazer com que todos pudessem se entender e caminhar na mesma direção. Tanto é que raras vezes nossas decisões não foram por unanimidade. Tudo isso mostra um caminho trilhado muito bacana. E eu fico muito feliz com o reconhecimento que estou tendo na minha saída. Colegas, imprensa, governo… acho que estou saindo em um momento muito legal.

 

Um pouco mais de Cleverson Siewert

A entrevista de balanço do período de Siewert na Celesc foi muito diferente de todas as anteriores. Ele manteve a postura de presidente para falar dos bons números da Celesc, das mudanças que ajudou a implantar, das dificuldades, desafios, resultados, decisões.

Até que começava a parte que, se fosse em um programa de TV, provavelmente teria como chamada algo do tipo “Cleverson Siewert por Cleverson Siewert”. Sem rejeitar sequer uma pergunta e sem rodeios, o presidente da Celesc respondeu todas as perguntas feitas com um tom mais pessoal.

E o homem seguro que comanda uma empresa de R$ 11 milhões se desarmou ao ponto de correrem lágrimas. A paixão de Siewert pelo trabalho virou a paixão de Siewert pela Celesc.

No total, a entrevista durou exatamente 65 minutos. O primeiro trecho foi transcrito por falar especificamente da empresa. O segundo está na sequência, em áudios, porque nenhum texto seria capaz de traduzir a emoção de Siewert ao falar de seus feitos e defeitos, de suas dores e amores, de seus planos de futuro e de suas pequenas grandes alegrias.

A marca que o homem deixou na empresa.

A marca que a empresa deixou no homem.

 

O convite para presidir a Celesc

O momento mais tenso, o domínio sobre os assuntos da empresa e o papel de porta-voz

Secretaria da Fazenda x Celesc: o que é mais difícil? E a defesa da companhia

Emoção ao relatar a rotina diária

Mais emoção e mensagens de carinho

Dedicação total e comprometimento irrestrito

Aprendizado e muitos amigos

A alegria em coisas simples

Responsabilidade socioambiental

Preparação e autocontrole

A decisão de sair da Celesc

Ainda à disposição da Celesc e torcida pelo novo governo

No caso de um convite para o Conselho…

Mensagem aos catarinenses

Mensagem aos celesquianos

Mensagem ao sucessor

Grandes desafios e grandes emoções

Comprometimento até o último dia

Falava e chorava – falava e chorava – falava e chorava

 

(Por Andréa Leonora)