Por: Andréa Leonora

 

Na matéria de mais de meia página publicada na edição de sábado (08) pelo Estadão, na versão impressa e no portal de notícias, o governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, fez questão de mostrar as diferenças que tem em relação ao líder máximo de seu partido, o PSL, o presidente Jair Bolsonaro.

Destacamos aqui alguns trechos da entrevista feita pelo jornalista Ricardo Galhardo.

Para ler a íntegra, clique aqui.

 

Durante a campanha o senhor disse que não é um “mini-Bolsonaro”. O que difere o senhor do presidente?

Foi a minha primeira entrevista depois que anunciei a candidatura. Alguns colegas disseram: “Puxa vida, perdemos a eleição, você tem de grudar sua imagem na do Bolsonaro”. Acontece que todos nós temos diferenças. Eu nunca fui político, Bolsonaro já era um político com 28 anos (de mandatos), tinha experiência no Legislativo, sempre foi muito ligado, a vida toda, à política. Também não defendo com unhas e dentes… Há algumas pessoas que têm ojeriza à defesa de minorias. Mas, se você é de extrema-direita, pode estar criando uma minoria.

 

“Eu entendo que as pautas de um estadista têm de ser aquelas que atendam à grande maioria das demandas por ações do Estado. Pauta de governo é pauta relevante.”

 

Como o senhor avalia estes primeiros cinco meses do governo Bolsonaro na economia?

O governo fez as propostas. Talvez não tenha caminhado rapidamente como a gente queria, esperava, já no primeiro semestre fazer todas as mudanças. Houve dificuldades políticas de encaminhamento. Mas o governo está fazendo a parte dele. Penso que logo depois que a nova Previdência for aprovada, o governo deve encaminhar a reforma tributária. Mas o auxílio aos Estados não pode esperar nem ser condicionado a que estas reformas aconteçam. Tem de ser concomitante.

 

“Quando eu falei que o estadista tem de trabalhar com políticas de Estado estava dizendo que o governo deve ser seleto naquilo que ele elege como pautas que valem a pena ser discutidas. Tem de ter certo cuidado para não ferir certos interesses. Nesta questão comunicação e das redes sociais a gente deve ter muito cuidado para não arrumar brigas que não vale a pena serem brigadas por um estadista.”

 

O senhor tinha um discurso muito incisivo de defesa da nova política, contrário à política tradicional. Foi necessário modular o discurso e dialogar com os políticos?

Obviamente, como eu era uma novidade, só agora os alinhamentos começam a surgir. Temos uns 28 (de 40) deputados votando com a gente. É um relacionamento que está sendo construindo a partir de uma novidade. Nem nós sabíamos se daria certo. Mas acompanhando a renovação de mais de 50% dos deputados que acompanhou a nossa eleição acreditávamos que daria certo. E está dando certo.

 

Qual sua opinião sobre a exclusão dos Estados na reforma da Previdência?

Os Estados e municípios devem estar na reforma. Não aceitamos que se repasse aos Estados essa responsabilidade. Apesar de que Santa Catarina fez a lição de casa lá em 2015. Outros Estados ainda não avançaram. Não adianta termos o primo rico e o primo pobre.

 

“O governo federal tem sistematicamente lesado os estados na medida em que não repassa integralmente valores. Hoje os estados são deficitários e não têm como sobreviver.”