Por: Andréa Leonora

18/06/2019

A Capital catarinense amanheceu, mais uma vez, sob o impacto de prisões temporárias e ações de busca e apreensão. Na Operação Alcatraz, realizada pela Polícia Federal (PF) no dia 30 de maio, o nome de destaque foi o do presidente da Assembleia Legislativa, deputado Julio Garcia (PSD), provavelmente por sua relação pessoal com Nelson Nappi, advogado indicado por Julio para assumir a Diretoria de Tecnologia do Legislativo estadual. Nappi foi exonerado e continua preso.

Na Operação Chabu, deflagrada no amanhecer desta terça-feira (18) também pela Polícia Federal de Brasília, o nome que mais chama a atenção é o do prefeito Gean Loureiro, que se desfiliou do MDB no dia 28 de maio.

 

Enquanto a Alcatraz teve como objetivo combater fraudes fiscais praticadas por grupos empresariais com emissão de notas frias e pagamento de propina a agentes públicos, a Chabu quer desarticular uma organização que viola sigilo de operações policiais em Santa Catarina, e que começou a ser identificada a partir de outra operação, a Eclipse, de agosto de 2018.

 

Chabu – o termo não é muito conhecido em Santa Catarina, sendo mais comum nas regiões Sudeste e Nordeste do país. Pelo dicionário, significa “falha que ocorre em fogos de artifício, que não detonam nem acendem ou que estouram imprevistamente”. Popularmente, costuma-se falar “deu chabu” em situações de confusão, brigas, discussões e, agora, em operação da Polícia Federal

 

Sem coletiva à imprensa

 

Prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro | Foto: EBC

 

Luciano Veloso Lima, ex-secretário da Casa Civil de SC | Foto: Secom

 

Até agora pouco se sabe sobre a nova ação da PF em Santa Catarina, que não concederá entrevista coletiva à imprensa. O que já se tem é que dos sete conduzidos temporariamente, quatro nomes vazaram para a imprensa – além do prefeito Gean Loureiro, o ex-secretário estadual da Casa Civil Luciano Veloso Lima (período Eduardo Moreira), o agente da Polícia Rodoviária Federal (PRF-SC) Marcelo Roberto Paiva Winter e o delegado Fernando Cairon, da PF.

Entre os 23 mandados de busca e apreensão, um foi efetivado no quinto andar da sede da Prefeitura Municipal de Florianópolis, onde os agentes permaneceram do começo da manhã até o começo da tarde. De lá saíram carregando malotes e mochilas com materiais recolhidos.

Outro foi na sede do Grupo Nexxera, líder no mercado de troca eletrônica de dados. Segundo o site O Antagonista, a investigação da PF pretende identificar um possível vínculo com os recentes ataques de hackers a autoridades brasileiras, especialmente do Judiciário.

A Nexxera manifestou, em nota, que desconhece o motivo da investigação em sua sede. A prefeitura também emitiu nota sobre a Operação Chabu. Um trecho do documento diz que “informações preliminares dão conta de que não há nenhum ato ou desvio de recursos públicos relacionados à prefeitura e de que a suposta relação entre o Prefeito Gean Loureiro e os envolvidos não teria nenhuma ligação com eventuais atos”. Até agora não se sabe se haverá mudança no comando do Executivo da Capital.

 

Por Andréa Leonora/CNR-SC