Por: Coluna Pelo Estado

Ao comentar a posse do novo policial corregedor da Guarnição Especial da PM de Imbituba, em uma publicação no Instagram, o deputado Jessé Lopes (PSL) disse que paga um churrasco para cada “vagabundo que colocarem no ‘colo do capeta’(sic)”.

O comentário foi feito na postagem do comandante da Guarnição Especial, tenente-coronel Daniel Nunes Da Silva, em sua página no Instagram, onde anuncia o novo integrante da equipe, que inclusive atuará como corregedor e coordenador das redes do Proerd e Rede de Vizinhos. Ou seja, terá a missão de fiscalizar justamente os policiais que eventualmente cometerem abusos no exercício da profissão.

Diante da apresentação do novo membro, Jessé escreveu: “Boa! Já sabem né?! Cada vagabundo que colocarem no ‘colo do capeta’ eu pago um churrasco! Tmj! Força e honra!”.

Em entrevista concedida ao portal Folha da Cidade, ao ser questionado se o comentário não poderia ser interpretado como apologia a violência policial, o deputado criticou a legislação em vigor e reforçou seu posicionamento: “O policial tem que esperar levar tiro para revidar”.

“Eu generalizei, não falei de nenhum caso específico. Existem várias formas de se matar um vagabundo, pode ser em confronto. Não tô dizendo que tem que sair por aí matando manifestante, que muito provavelmente é o que tu pensas que eu to dizendo”, afirmou.

Questionado se a sua posição não poderia prejudicar a própria imagem da Polícia Militar catarinense, o deputado disse que ele não comanda os policiais no estado: “Não sou eu que ajo nem sou eu que administro a polícia. Eu só falei a verdade, mata o vagabundo vai fazer churrasco. Quem entra em confronto com a polícia tem que passar fogo”.

O comentário foi endossado por militares através de curtidas, incluindo o próprio comandante Daniel Nunes, o capitão do Corpo de Bombeiros, Guilherme Veirissimo, e o tenente-coronel Peterson do Livramento, diretor do Colégio Militar de Laguna.

Em resposta ao comentário de Jessé, a vereadora de Garopaba Tatiane Rosa Ávila Pacheco (PSD) diz que ele o deputado “não daria conta de pagar os churrascos”.

“Fazem um trabalho de referência na nossa região, tanto Garopaba quanto Imbituba, penso que o Sr. Não daria conta de pagar os churrascos”, escreveu a vereadora.

Em um ano e meio de mandato como deputado estadual na Alesc, Jessé Lopes coleciona denúncia na Comissão de Ética da casa. Ele já ofendeu mulheres, quando declarou que elas gostam de ser assediadas, plantou notícias falsas contra o suplente de deputado Paulo Eccel, do PT, dizendo que o parlamentar é “defensor de bandido”, e, mais recentemente, insinuou nas redes sociais que o governador Carlos Moisés (PSL) teria tido um caso com uma servidora da Casa Civil e que ela estaria grávida dele.

A Constituição do Brasil veda pena de morte e as polícias, no país, não têm autorização para matarem em serviço. Tal atitude não foi legalizada no país nem nos períodos de maior repressão, como no regime militar.