Por: Coluna Pelo Estado

Nícolas Horácio/Pelo Estado

As eleições municipais em 2020 têm elementos que a diferenciam de qualquer outro pleito, no Brasil, nos últimos anos. Eleitores indo às urnas em meio à uma pandemia, alguém se recorda? O primeiro efeito do coronavírus foi na data da votação. Marcadas anteriormente para 4 e 25 de outubro, as eleições foram adiadas pelo Congresso Nacional para 15 e 29 de novembro. O vírus também mexeu no trabalho da militância e até na articulação das alianças partidárias, ainda assim, possíveis candidatos a prefeito estão focados na pré-campanha.

Tudo é online e alguns gostam de fechar o dia com uma live. Santinhos durante a campanha? Provavelmente no Whatsapp. A atmosfera das eleições municipais em 2020 é totalmente nova. Em Santa Catarina, a disputa partidária promete aglutinação da esquerda com a centro esquerda e fragmentação na direita, centro e centro direita.

Candidatos a prefeito e apostas dos partidos em SC

O PSL, partido do governador Carlos Moisés – eleito na onda bolsonarista – chega desconfigurado nas eleições municipais. Depois que Bolsonaro deixou a sigla, tudo mudou em Santa Catarina. Moisés, inclusive, se afastou do presidente e, aos poucos, perdeu apoio dos deputados estaduais do próprio partido e dos aliados na Assembléia Legislativa. Além disso, ele enfrenta a crise decorrente da compra ilícita de respiradores, no valor de R$ 33 milhões. Com isso, é mais provável que o governador apenas assista às eleições.

Outros nomes do PSL, entretanto, podem disputar as eleições na sigla e acompanhar o presidente depois que ele criar seu novo partido. É o caso de Jessé Lopes (Criciúma) Carolina de Toni (Chapecó) e Ricardo Alba (Blumenau). Os três podem medir a força do bolsonarismo em um contexto político totalmente novo no Estado. Além deles, o jornalista Gonzalo Pereira desembarcou do governo Moisés e do comando da Secom para lançar candidatura em Florianópolis.

O PL está crescendo no Estado sob a liderança do Senador Jorginho Mello e vem forte nas eleições municipais. Na tentativa de entrincheirar o projeto para ganhar o governo em 2022, Jorginho fará algumas apostas com candidatos a prefeito. Na capital, sua cartada é o vereador mais votado na história da cidade, Pedrão. Em Blumenau, Ivan Naatz, deputado estadual em primeiro mandato e ex-vereador na cidade.

O PSD, partido do presidente da Assembleia, Julio Garcia, e do ex-governador do estado, Raimundo Colombo, ainda parece desorientado após as eleições de 2018. Canais digitais, como site e Facebook do partido em Santa Catarina, estão mais que desatualizados, ainda pedindo voto para Merísio contra Moisés. O partido tenta reeleger Antonio Ceron (Lages) e vencer também com João Rodrigues (Chapecó). O partido também aparece como vice do candidato à reeleição do tucano Clésio Salvaro (Criciúma).

O Novo quer surpreender nas eleições de 2020 em Santa Catarina. Em Joinville, testa o ex-Promotor de Justiça Odair Tramontin. Na capital, o advogado Orlando Silva.

O PP vem com Ângela ou João Amin na Capital. “Eu sou um dos pré-candidatos do meu partido. A candidata que é unanimidade é a dona Ângela, agora tem que saber se ela vai ser candidata ou não”, disse João Amin.

O MDB estabeleceu uma meta ousada: eleger 120 prefeitos e, no mínimo, mil vereadores no estado. No contexto da pandemia, o partido vai lançar candidatos a prefeito que são médicos. Entre eles: Dr. Anibal (Criciúma), Dr. Antonio Miranda (Florianópolis), Drª. Lisiane Anzanello (Blumenau).

O DEM vai tentar permanecer no comando da capital, com Gean Loureiro disputando a reeleição. O ex-deputado estadual Patrício Destro pode ser candidato a prefeito (Joinville) e João Paulo Kleinubing ainda não confirma, mas é o candidato natural do partido em Blumenau.

O PT vai disputar com Pedro Uczai (Chapecó) e Ana Paula Lima (Blumenau). Os demais partidos de esquerda, PDT, PSOL e PCdoB estão juntos em praticamente todos os grandes colégios eleitorais de Santa Catarina.

O PSDB vai disputar com o vereador Rodrigo Fachini (Joinville). O empresário Dilmar Antônio Monarim (Lages) também é um dos candidatos a prefeito dos tucanos. Além disso, Clésio Salvaro (Criciúma) tenta se reeleger. Candidato derrotado por Moisés no segundo turno de 2018, Gelson Merísio está no PSDB e o partido também deve tentar erguer palanques para ele em 2022.

A reportagem ouviu lideranças dos principais partidos no estado a fim de saber suas apostas e os candidatos a prefeito nos maiores municípios de Santa Catarina. Veja, a seguir, como pode ser a disputa na majoritária em Joinville, Blumenau, Florianópolis, Chapecó, Criciúma e Lages.

Joinville

O prefeito Udo Döhler (MDB) terminará o segundo mandato e não pode ser candidato no maior colégio eleitoral do estado. O nome do MDB para as eleições, em Joinville, é o deputado estadual e ex-vereador Fernando Krelling.

O cenário é de muita fragmentação, com mais de 15 candidaturas colocadas e uma dezena delas no páreo. Segundo o presidente do PT, Décio Lima, a eleição está em aberto e não há nomes com o recall de Luiz Henrique da SIlveira e Carlito [Mers], o que justifica a fragmentação.

A cidade tem várias pré-candidaturas de vice-prefeitos. Atualmente deputado Federal, Rodrigo Coelho (PSB) foi vice-prefeito de Joinville de 2013 a 2016. O PL de Jorginho filiou Ninfo para apoiar esse projeto, o problema é que Rodrigo Coelho não conseguiu sair do PSB e sua candidatura pode ficar inviável.

O atual vice-prefeito, Nelson Henrique Coelho (Patriota) é outro disposto a comandar a prefeitura de Joinville. Nomes do empresariado também estão colocados: Adriano Bornschein Silva (Novo), Anelísio da Assessoritec (Avante) e Ivandro de Souza (Podemos). Este último, no entanto, pode fazer acordo com o DEM, que por sua vez quer lançar o ex-deputado Patrício Destro, ou o também ex-vice prefeito Júlio Fialkoski.

O PSL vem com o ex-secreário de Articulação Internacional do governo Moisés, Derian Campos. O nome do ex-vereador Levi Rioschi (DC) também está colocado. O PSDB apresentou a candidatura do vereador Rodrigo Fachini. O nome de Marco Aurélio Marcucci (PRB) também está colocado.

Francesc foi confirmado como pré-candidato pelo PP. No entanto, de acordo com o presidente estadual do partido, deputado estadual Silvio Devreck, há uma tendência de composição com PSD, PSDB, Podemos e até com o Democratas.

A ex-secretária de saúde, Tânia Eberhardt11 (Cidadania) é a única mulher nessa disputa até o momento. As mulheres não aparecem na cabeça de chapa nem mesmo nos partidos de esquerda. Eles devem formar uma frente ampla em Joinville, onde estão praticamente consolidados os nomes do ex-deputado federal e ex-vereador, Chico de Assis (PT), e do vereador James Schroeder (PDT) na cabeça de chapa. O PSOL também deve compor essa frente.

Blumenau

O atual prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (Podemos), será candidato a reeleição em Blumenau. O ex-deputado federal e ex-prefeito, João Paulo Kleinubing, é o candidato do DEM.

Os deputados estaduais Ivan Naatz (PL) e Ricardo Alba (PSL) também são pré-candidatos. O MDB quer lançar a Drª. Lisiane Anzanello. O Partido Novo vem com Odair Tramontin, ex-promotor de justiça.

Os partidos de esquerda também formulam uma frente em Blumenau. Na cabeça de chapa, o mais provável é a candidatura da ex-deputada estadual, Ana Paula (PT), e de João Natel (PDT), ex-reitor da Furb. PCdoB, PSOL, PCO e PCB também devem compor.

Florianópolis

A eleição na capital promete. O atual prefeito, Gean Loureiro, vai disputar sua primeira eleição no DEM. Ele saiu desgastado do MDB depois da operação Chabu. O prefeito de Florianópolis chegou a ser preso, em junho de 2019, e solto no mesmo dia. Um ano depois, Gean pode comemorar a decisão da justiça que rejeitou a denúncia contra ele e estará na disputa.

Muitos nomes querem tirar o Democrata do comando da capital. Um deles é o vereador Pedrão, que precisou trocar de partido para seguir com o projeto de ser prefeito. Isso porque, em Florianópolis, não tem outra: o PP vem com Ângela ou João Amin. A decisão depende dela. Se a matriarca dos Amin for candidata, o filho não vai às urnas. Se ela não encarar o desafio, João é a opção.

O MDB tem mais um médico pré-candidato na capital, o infectologista Antonio Miranda. O Novo decidiu lançar o advogado Orlando Silva. O Patriota pode vir com Edgar Lopes. O PSL pode vir com o jornalista Gonzalo Pereira, depois que o Cel. Araújo Gomes abortou a missão. Hélio Costa (REP) também retirou a pré-candidatura e pretende apoiar Gean.

A Frente de esquerda está praticamente consolidada. Elson Pereira (PSOL), Lino Peres (PT) e Janaina Deitos (PCdoB) são pré-candidatos. O PDT também deve compor na frente de esquerda. Rede, PV e PSB foram procurados.

Chapecó

Em Chapecó, Luciano Buligon (PSL) não pode se reeleger. Seu partido pode lançar a candidatura da deputada federal Carolina de Toni.

João Rodrigues (PSD) vai voltar às urnas, em 2020, tentando ser prefeito de Chapecó novamente. Ele exerceu mandato na cidade de 2004 a 2010. O PSC de Narcizo Parisotto pode figurar como vice.

O PL está propenso a lançar o vice-prefeito Élio Cella. O MDB vai lançar o vereador Cleiton Fossá. O PSB confirmou a pré-candidatira de Claudio Vignatti. O DEM apresentou o nome do empresário Cidnei Barozzi, ex-presidente da Associação Comercial.

O PT vai de Pedro Uczai, que já foi prefeito da cidade. Novamente há uma tendência de composição com a esquerda, porém, o PSOL lançou a pré-candidatura de Antonio Campos.

Criciúma

Clésio Salvaro (PSDB) vai disputar a reeleição em Criciúma. O vice, Ricardo Fabris (PSD), continua junto e o PP também está nesse barco.

Lucas Dalló (Podemos) pode figurar na disputa. Mas o PL também quer criar uma marca na cidade e lançar a advogada e jornalista Júlia Zanatta. Ou essas candidaturas convergem, ou brigam para ver quem é mais bolsonarista.

MDB e DEM devem unir seus candidatos a prefeito. O médico Dr. Anibal Dario (MDB) e a Professora Lisi Tuon DEM são os nomes para a cabeça de chapa.

A esquerda tem os nomes de Chico Balthazar (PT) e do deputado estadual Minotto (PDT) para disputar a prefeitura em Criciúma.

Lages

Em Lages, reduto do PSD de Raimundo Colombo, o partido tenta reeleger Antonio Ceron.

O DEM está com a pré-candidatura do vereador Samuel Ramos, uma aposta do partido.

O grupo do empresário de comunicação Roberto Amaral deixou o PSDB. Os tucanos estão se renovando na cidade e pretendem lançar Dilmar Antonio Monarim.

A deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania) foi convidada por Carlos Moisés para comandar a Secretaria de Saúde, mas declinou do convite. Um dos motivos? Não poderia disputar a prefeitura de Lages. Com isso, caminho livre. Ela terá apoio do PL.

O MDB vem com o ex-prefeito Elizeu Mattos para a disputa.

O PSL pretende lançar um candidato jovem.

O professor Cleimon Dias é o representante do PT. A união nesse espectro também deve fazer os candidatos a prefeito convergir o projeto, formando uma frente da esquerda também em Lages.