Por: Coluna Pelo Estado

Após passar por dois feriados de praias lotadas, cenas de aglomeração em restaurantes, bares e festas, com aumento nos horários de linhas de ônibus de transporte municipal e intermunicipal, Florianópolis retornou oficialmente ao estado gravíssimo na primeira semana de novembro. Nesta sexta-feira, 6, quando os leitos de UTI de covid-19 estão 90% ocupados, a cidade recebeu a visita do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) em um evento com mais de 5 mil pessoas no Norte da Ilha. Mas, por enquanto, além da mudança no status de gravidade, não há previsão de novos anúncios de restrição por parte da Prefeitura.

Bolsonaro participou da formatura de 600 novos agentes da PRF, realizado nas Academia Nacional da Polícia Rodoviária Federal, em Canasvieiras. A formatura, que reuniu cerca de 5 mil pessoas, entre formandos, familiares, políticos e jornalistas, ocorreu dois dias após a cidade voltar ao estágio mais alto para o contágio da doença – gravíssimo – e no dia que os hospitais atingiram a marca de 90% de ocupação dos leitos de UTI para covid-19. Na última semana, mais de quinhentas pessoas foram infectadas em Florianópolis, segundo dados do governo do Estado.

Mesmo assim, não há sinais de que a prefeitura da Capital volte a anunciar novas medidas para restringir a circulação de pessoas e evitar novas aglomerações, como as registradas no último feriado. Os ônibus continuam circulando, estabelecimentos abertos e eventos liberados.

Sobre o evento no Norte da Ilha, a Prefeitura foi procurada mas não informou se houve ou não liberação para a aglomeração de pessoas. Informou apenas que o curso de formação dos novos agentes havia sido autorizada com protocolo aprovado pela vigilância do município.

As regras da Secretaria de Saúde do Estado e da própria prefeitura no covidômetro determinam que o estágio gravíssimo para o contágio impede a realização de eventos, e caberia ao município fazer a fiscalização. 

O MPSC vem cobrando que o município cumpra as medidas de combate e prevenção da doença nas duas últimas semanas. Em campanha para reeleição e diante de escândalos que surgiram nas duas últimas semanas, como a denúncia de estupro de uma ex-comissionada da prefeitura e a investigação da Operação “Mecanismo Verde” envolvendo servidores da Secretaria de Meio Ambiente, até agora o prefeito Gean Loureiro (DEM), não se manifestou sobre novos decretos relacionados à pandemia. Ele também não participou da solenidade com a presença do presidente e da governadora interina, Daniela Reinerh.

Segundo informações da Secretaria de Saúde do Município, estão ocorrendo reuniões semanais entre as cidades vizinhas para discutir novas ações. Mas não há previsão de quais e quando serão anunciadas.

Especialista descarta segunda onda

Apesar da nova aceleração na taxa de contágio de covid-19 na região Grande Florianópolis, atual epicentro da pandemia no estado, isso não significa que entramos na segunda onda de coronavírus. De acordo com análise do pesquisador Lauro Mattei, do Necat/UFSC, na verdade, este momento é uma continuação do pico da primeira onda. Para configurar uma segunda onda, como ocorreu nos países da Europa, os índices de contágio teriam que ter baixado até praticamente zerar. E desde que o pico foi alcançado em Santa Catarina, em julho, apesar de os índices terem baixado em agosto e setembro, ainda não foram o suficiente para afirmar que a primeira onda acabou.

Florianópolis soma 171 mortes

Com o aumento de casos na capital, o número de mortes também voltou a crescer. Em outubro foram registrados 32 mortes pela doença. Desde o início da pandemia, já são 171 óbitos, sendo 64 pessoas que eram moradoras dos bairros da região continental da cidade, 60 na região do centro, 30 no Norte da Ilha e 16 no Sul da Ilha. Os bairros com maior número de mortos são Centro (17), Abraão (10), Ingleses (9), Agronômica (8), Trindade (8) e Estreito (8).

 

Patrícia Krieger e Fábio Bispo