Por: Andréa Leonora

O 1º de maio não será feriado para todos em Santa Catarina, ao menos, essa é a realidade dos pescadores artesanais no estado. Para eles, o Dia do Trabalho marca a liberação da sua tradicional atividade, a pesca artesanal, que se tornou patrimônio imaterial catarinense no ano passado. Dos três grupos autorizados a realizar a captura da tainha, os pescadores artesanais, são os primeiros liberados a lançar as suas redes.

Após a abertura da safra, pode acontecer o retorno dos famosos arrastões de redes nas praias e o uso de embarcações a remo e sem motor. A safra deste ano, entretanto, estará um pouco diferente, pois não serão realizados os tradicionais festejos e missas por conta da pandemia do novo coronavírus. Ainda assim, a expectativa está nas alturas, para os 18 mil trabalhadores que exercem a atividade no estado.

Enquanto no ano passado os resultados ficaram abaixo do esperado – em 2019 foram capturadas 1,16 mil toneladas, mas esperavam-se 2,5 mil toneladas, – em 2020, a Federação dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Fepesc) estima a captura de 1,8 mil a 2 mil toneladas do peixe.

Há aproximadamente um mês, os pescadores artesanais trabalham nos preparativos, deixando barcos e redes no mar do litoral catarinense. Além disso, também foram intensificados os trabalhos de reparo nos equipamentos e de organização nos ranchos, onde o principal sentimento, agora, é o de ansiedade pelo início da safra.

Os pescadores artesanais começam a capturar tainha a partir de hoje, 1º de maio, e podem seguir até 31 de dezembro, sem limites de cotas para captura.

Barcos artesanais motorizados e industriais

O segundo grupo que pode fazer a pesca da tainha é a frota de emalhe anilhado de Santa Catarina, que usa barcos motorizados artesanais. A atividade será liberada para eles de 15 de maio a 31 de julho. Esse grupo, no entanto, tem um limite: pode capturar até 1.196 toneladas de tainha nos mares do Sudeste e Sul. Além disso, toda a produção deve ser desembarcada em Santa Catarina.

O último grupo é o dos barcos industriais de traineira, que poderão pescar de 1° de junho a 31 de julho. A cota máxima deles é de 627,8 toneladas e de 50 toneladas por embarcação.

As regras são determinadas pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que estabelece, ainda, as medidas de monitoramento para controlar a quantia produzida e encerrar a pesca quando os limites são atingidos.

Proteção

A pandemia do novo coronavírus também vai impactar a atividade dos pescadores. O frio e o vento sul favorece a pesca da tainha, mas também vai oportunizar o alastratamento da Covid-19, ou seja, a doença também será uma preocupação.

Pescadores e donos de barcos devem usar máscaras, álcool em gel e respeitar o distanciamento social nos seus ranchos e barcos. Atenção redobrada aos puxadores de rede, que devem ficar a 1,5 metro de distância entre si.

O controle será feito por 12 fiscais do Sindicato dos Pescadores do Estado de Santa Catarina (Sindpesca) e haverá punição para quem desrespeitar as medidas.