Por: SC Portais

“Estamos no caminho certo”

A Celesc encerrou 2017 com resultados bastante positivos e, mais especialmente, com excelentes perspectivas para 2018 e os próximos anos. A análise é um resumo da conversa da reportagem da Coluna Pelo Estado com o presidente da companhia, Cleverson Siewert. As expectativas são positivas por conta do financiamento de R$ 1,2 bilhão junto ao Banco Mundial (BID), autorizado pela Assembleia Legislativa. A Procuradoria-Geral da República deve mandar a lei específica para as Casas Legislativas federais na volta do recesso. O contrato deve ser assinado entre fevereiro e março. “Esse valor representa 60% dos investimentos previstos para os próximos cinco anos, financiados a 3% ao ano, com cinco anos de carência e 25 para pagamento. É uma mudança positiva da nossa estrutura de endividamento”, destacou Siewert. Ele também está otimista com a recente aquisição de ações da Celesc pela EDP, uma das principais multinacionais do setor energético. A companhia catarinense foi a primeira concessionária pública estadual a receber a atenção da EDP. Não à toa. Do ponto de vista técnico, o sistema da Celesc tem qualidade e confiabilidade reconhecidamente superiores à média nacional. O mesmo ocorre na governança, vinculada à gestão e à sustentabilidade. Além disso, a companhia manteve o Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE), da Bovespa, que contempla apenas 33 organizações brasileiras. “Estamos alinhados com o que há de melhor em gestão no país.”

[PeloEstado] – O ano de 2017 foi bom para a Celesc?
Cleverson Siewert – Mais uma vez tivemos a convergência de esforços, desde o Conselho de Administração, passando pela Diretoria Executiva, movimento sindical, corpo funcional, acionistas… todos irmanados em uma mesma sintonia. Isso foi muito bom e permitiu que déssemos passos importantes, garantindo resultados ainda mais consistentes tanto do ponto de vista técnico quanto operacional. Tecnicamente, a Celesc sempre foi muito bem e continua na mesma linha. Se pegarmos até o mês de novembro, que é o que temos fechado, o nosso DEC (Duração Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) está praticamente 4% abaixo do limite da concessão e o FEC (Frequência Equivalente de Interrupção por Unidade Consumidora) está 14% abaixo. Isso mostra que os investimentos têm trazido resultados.

[PE] – Quanto em investimentos?
Siewert – Quase R$ 350 milhões em 2017 só de investimentos na distribuidora. Ao longo dos últimos cinco anos, mantivemos esse patamar, entre R$ 300 milhões e R$ 350 milhões por ano. Os resultados financeiros também foram muito bons e consistentes. Até setembro, está publicado, foram R$ 435 milhões de Ebitda (sigla em inglês para Lucros antes de juros, impostos, depreciação e amortização) e R$ 60 milhões de lucro. Mostra claramente que temos evoluído na gestão da Celesc.

[PE] – O senhor começou falando da convergência de esforços. Em que sentido?
Siewert – No sentido de um novo Plano de Cargos e Salários (PCS), com Programa de Demissão Voluntária Incentivada (PDVI). Quando eu entrei na empresa, em 2011, não imaginei que pudéssemos evoluir tanto. Naquele momento tínhamos 3,7 mil celesquianos, hoje temos 3,3 mil e queremos chegar a 2,8 mil. Paralelamente, o Conselho já aprovou a realização de concurso público, o que prova que nosso objetivo não é e nunca foi a terceirização. O edital será lançado ainda em janeiro, com uma vaga para cada cargo. Se for necessário chamar mais, já teremos reserva. Destaco que a lógica remuneratória da companhia estava bem acima do mercado e que as pessoas que vão entrar a partir de agora têm que seguir as regras de mercado. O salário de quem entrar agora vai ser cerca de 30% abaixo de quem já está na empresa. Fizemos também um novo Plano Previdenciário, de contribuição definida. Somado a isso, fizemos a negociação da CDE (Conta de Desenvolvimento Energético), que durou mais de dois anos e agora pesou positivamente no nosso balanço.

[PE] – Um dos motivos de todo esse esforço é reduzir o custeio. Isso aconteceu?
Siewert – Até o terceiro trimestre, levando em conta a inflação, tivemos quase 4% de redução de nossos custos operacionais sobre uma base que já vinha enxuta dos anos anteriores. E tanto o mercado quanto a sociedade reconhecem o trabalho que fazemos na Celesc, o que resultou em sete prêmios, estaduais, nacionais e internacionais para a empresa em 2017. Sabemos que sempre há o que melhorar, mas estamos no caminho certo. As nossas ações no mercado financeiro valorizaram muito mais do que a média de mercado, do que o índice Bovespa e do que o índice de energia elétrica. No terceiro trimestre, as ações da Celesc tiveram 53% de valorização, contra o índice de 14% de energia elétrica e 27% de Bovespa. Tudo isso atraiu a atenção da EDP, uma das maiores empresas globais do setor de energia, que entrou no nosso portfólio de acionistas ao comprar parte das ações da Previ. Eles olharam para a Celesc e enxergaram um potencial muito grande. Não foi à toa que pagaram R$ 230 milhões pelas ações e estão fazendo uma oferta púbica para chegar a R$ 450 milhões de investimento na empresa! É uma aprovação da governança que temos mantido na Celesc.

[PE] – Também foi um bom ano para Geração e Transmissão?
Siewert – Sim. Em abril saímos vencedores de um leilão, junto com a EDP, para a construção de uma linha de transmissão que vai exigir R$ 1,2 bilhão de investimento. Foi a nossa primeira grande incursão na área de transmissão e queremos mais. Até junho essa obra, que está em fase de licenciamento ambiental, deve começar a ser executada. Outra vitória importante foi a renovação da concessão da nossa maior usina, a Peri, por mais 30 anos. E continuamos firmes no processo de automação das nossas usinas. Fizemos três em 2017, faremos duas em 2018 e totalizaremos as 12 automatizadas.

[PE] – O que mais deve acontecer em 2018 no contexto da Celesc?
Siewert – Vamos manter a média de investimentos. Temos R$ 463 milhões, valor consolidado. Desse total, R$ 395 milhões vão para a Distribuidora, R$ 50 milhões para a Geradora e R$ 8 milhões na Holding. São valores que englobam a Operação Verão, para a qual nos preparamos durante o ano todo. E temos melhorado a cada ano. Não é só uma questão de sobrecarga do sistema, mas também das intempéries climáticas, mais comuns e mais severas nessa época. A ocorrência de ventanias e descargas elétricas aumenta 35% de dezembro a março na região Sul do país. Da temporada 2013/14 para a temporada 2016/17, melhoramos em 30% nosso DEC e FEC, resultado dos investimentos feitos em baixa, média e alta tensão, manutenção preventiva, poda e roçada. Também ampliamos a força de trabalho, com 20% mais trabalhadores nas áreas técnica e comercial. É um reforço de 200 eletricistas e 100 atendentes comerciais e call center para que, havendo interrupção, logo tenhamos condições de restabelecer o fornecimento de energia. As equipes extras ficam em regiões estratégicas para que tenham maior mobilidade e agilidade no atendimento à ocorrência. Além disso, continuamos investindo em automação, por controle remoto. Chegamos a 1,1 mil religadores na rede trifásica da Celesc e 400 na monofásica. Nossa meta é chegar aos 3 mil religadores no total. E temos pontos auto configuráveis em 20 aglomerações urbanas do estado. Ou seja, caiu a energia, automaticamente o sistema isola o problema e reconfigura a rede, dando tempo para que as equipes cheguem ao local para o conserto sem que aquela região fique prejudicada. É um projeto piloto que vamos continuar testando. Aliás, em 2017 trabalhamos muitos conceitos de inovação.

[PE] – Fale mais sobre isso.Siewert – Nosso Comitê de Inovação está muito bem estabelecido na companhia e a principal ação do ano foi o Hackathon, com temas específicos para a área Comercial. Foi muito bacana e várias das soluções desenvolvidas ali estão rodando na empresa. Inovação também é nosso foco em todas os projetos de Pesquisa & Desenvolvimento e de eficiência energética, áreas em que temos tido muito destaque, o que contribuiu para as nossas premiações em qualidade de sistema e eficiência energética.

[PE] – Quais os desafios de 2018?
Siewert – Sempre temos desafios. O Marco Regulatório do Setor Elétrico, que hoje tem 12 anos e está esgotado, com desequilíbrio entre oferta e demanda, tarifas cheia de encargos setoriais e indenizações, e ainda com o peso da judicialização, muito forte no setor. Empresas que estão devendo, não pagam e entram com ações questionando valores. A Aneel e os operadores do setor criaram a chamada pública número 33 que tenta trabalhar uma nova metodologia, baseada em geração distribuída, em armazenamento de energia, eficiência energética e mobilidade urbana. E, principalmente, em deixar o consumidor cada vez mais senhor de si. A tendência é que as distribuidoras passem a exercer o papel de operadoras de sistema.

[PE] – Como ficará sua situação, com a transição no governo do Estado, já em abril, e eleições?
Siewert – Não sei dizer. Não tive nenhum tipo de conversa ou sinalização, mas estou à disposição do governo. Particularmente, eu gostaria de permanecer, para fechar esse ciclo. Estou há cinco anos na presidência e conquistamos grandes vitórias. Acredito que 2018 é o ano de consolidação dessa trajetória. Fica o sentimento de gratidão pelas oportunidades que recebi, do Luiz Henrique (da Silveira), do (Leonel) Pavan, do governador Raimundo Colombo e do Eduardo Moreira, que logo deve assumir o Executivo. Eles nos deram total autonomia para que pudéssemos trabalhar e levar a Celesc ao status que tem hoje, reconhecido pelo mercado.

Dão carta branca para atuar. Autonomia. Entendem o novo momento. Fim do uso político da empresa. 80% do capital da empresa é dos acionistas. 20% do capital total e 50.2% das ações com direito a voto. A Celesc é um ativo importante, que precisa ser rentabilizado. Já foram presidentes. Conhecem a empresa, as dificuldades do setor e reconhecem a transformações que a Celesc viveu e está vivendo.