Por: SC Portais

Natural de Brusque, é graduado em Administração, com mestrado em Gestão Estratégica das Organizações pelo Centro de Ciências da Administração e Socioeconômicas pela Escola Superior de Administração e Gerência da Universidade do Estado de Santa Catarina (Esag/Udesc), e doutorado em Administração pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Reitor da Udesc desde abril de 2016, Marcus Tomasi é professor efetivo da instituição desde 2005, vinculado ao Departamento de Administração Empresarial. Foi pró-reitor de Planejamento (2008-2012) e vice-reitor (2012-2015), além de diretor-geral indicado do Centro de Educação a Distância (CEAD) por duas vezes (2012-2014 e 2016). Praticamente na metade de sua gestão, ele recebeu a reportagem da Coluna Pelo Estado para contar o que já fez e o que ainda quer fazer. A Udesc tem 14,1 mil alunos (12,3 mil na graduação, 11,1 mil em cursos presenciais e 1,2 mil em cursos a distância e 1,8 mil na pós-graduação, atendidos em 58 cursos de 12 centros de ensino presencial e quase 30 polos de ensino a distância, no caso da graduação, e em 35 programas de pós-graduação, com 47 cursos, sendo 13 doutorados, 24 mestrados acadêmicos e dez mestrados profissionais. São 1,2 mil professores e 760 técnicos universitários. A Udesc mantém 168 grupos de pesquisa, com 654 projetos; 555 programas, projetos e ações de extensão, que atendem um público anual de 800 mil pessoas em Santa Catarina.

[PeloEstado] – A Udesc passou bem pelo ano de 2017?
Marcus Tomasi – Mesmo com todos os percalços em âmbito nacional, tivemos condições de boas evoluções. A nossa gestão está em processo de qualificação e não de quantificação da instituição. Ou seja, não estamos imbuídos do processo de crescimento propriamente dito, mas de qualificar o que já temos para prestar um serviço cada vez melhor para a sociedade catarinense. Temos buscado melhorar a nossa infraestrutura física, ainda aquém das necessidades. Temos muitos prédios alugados. Precisamos sair para prédios próprios e adequados aos objetivos de cada curso.

[PE] – O que está sendo feito?
Marcus Tomasi – No final de 2017 nós fizemos duas inaugurações – um prédio em Balneário Camboriú, que supre 50% das demandas do centro e estamos com o projeto do segundo prédio, para equacionar o problema de infraestrutura na cidade; e inauguramos em Pinhalzinho e, com a reforma de outro prédio na cidade, vamos ficar com a infraestrutura adequada. Ainda assim, vamos precisar de um novo prédio para que os cursos de Zootecnia e Enfermagem fiquem no mesmo espaço, também para sair de aluguel. Em Lages, estamos concluindo o prédio da Engenharia Ambiental, que deve ser inaugurado até março, além de reformas no Hospital Veterinário, criação de um centro cirúrgico para pequenos e grandes animais, em fase de projeto para começo de obras ainda em 2018. Também em Lages vamos investir em uma biblioteca maior e na ampliação do restaurante universitário. Já em Joinville nós temos um prédio de quase 8 mil m², em fase de execução e deve estar concluído no segundo semestre. Outros dois prédios estão em construção em São Bento do Sul, que devem estar prontos até o final do ano. Dos centros que nós temos, Laguna é o de melhores condições. E em Florianópolis nós temos demandas. Para o Cefid (Centro de Ciências da Saúde e do Esporte), que fica no bairro Coqueiros, fizemos uma parceria com a Secretaria de Estado da Educação para a construção conjunta da Escola Dayse Werner Salles, o que nos dará uns 20 mil m², praticamente o dobro do que temos hoje. Somam-se aí as reformas e ampliações no Campus 1.

[PE] – Por que tantas ampliações?
Marcus Tomasi – Crescemos muito nos últimos anos. Há 14 anos, tínhamos 20 cursos de graduação, hoje são 59; seis cursos de mestrado, hoje são 42, sendo 11 doutorados e 33 mestrados; estávamos em três cidades e hoje estamos em nove! Costumo dizer que quando se cresce no público é pelo viés contrário. Quando há a demanda e o aporte de recursos, nós chamamos os alunos, contratamos os técnicos e professores e construímos o prédio, quando o correto seria fazer o caminho inverso: primeiro criar as condições estruturais e depois chamar a população do prédio. Por isso agora estamos trabalhando para dotar a Udesc de infraestrutura física, tecnológica e de pessoal.

[PE] – Quando a Udesc começou a viver esse crescimento?
Marcus Tomasi – No final do governo Esperidião Amin, quando fomos para Lages e Oeste. Continuou no governo Luiz Henrique da Silveira. Coincidentemente, Luiz Henrique foi nosso professor e o Amin foi nosso aluno e professor. Houve uma sensibilidade da parte deles, da mesma forma como ocorre agora no governo Raimundo Colombo/Eduardo Moreira.

[PE] – O senhor defende a universidade pública?
Marcus Tomasi – Defendo, sim. Mas quero deixar como legado a premissa de que a universidade pública, para manter qualidade, precisa se abrir, sair da redoma. A academia deve estar onde as coisas estão acontecendo. Com a quantidade de informações de fácil acesso que se tem hoje, não cabe mais achar que podemos formar um aluno em quatro anos em sala de aula. Os projetos devem ter interação com o mundo lá fora. Pregamos a universidade pública, mas isso não impede que ela faça parcerias com a iniciativa privada. Não nos cabe mais só o processo de formação. É preciso provocar a vivência.

[PE] – A academia ainda é um espaço elitizado?
Marcus Tomasi – Ainda é. Mesmo com o sistema de cotas, que considero importante, ainda é um espaço para poucos. Por isso é tão necessário que os que acessam a universidade coloquem os pés na realidade, que pode não ser a sua própria, mas é a da maior parte da sociedade. A Operação Rondon, que mantemos na Udesc e com parceiros, é uma resposta a isso. Desde 2009, já percorremos todas as mesorregiões catarinenses. O aluno volta diferente e isso é um diferencial na formação dele. Desperta a sensibilidade social, ele fica mais comprometido.

[PE] – A Udesc tem conquistado reconhecimentos importantes. Fale um pouco sobre isso.
Marcus Tomasi – Conquistas importantes. Ficamos na quarta posição entre os estados com instituições próprias de ensino superior (atrás de SP, RJ e PR). O resultado é do Índice Geral de Cursos (IGC) de 2016 (INEP/MEC). A Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior do MEC), em sua Avaliação Quadrienal 2017 do Sistema Nacional de Pós-Graduação (SNPG), elevou o conceito de seis dos nossos cursos. No Enade 2016 (Exame Nacional de Desempenho de Estudantes), obtivemos nota máxima (5) em Fisioterapia e Agronomia, enquanto Medicina Veterinária, Educação Física (Bacharelado) e Zootecnia ficaram com nota 4 (muito bom) e Enfermagem teve nota 3 (bom). Além disso, 35 cursos de graduação da Udesc foram bem avaliados pelo último Guia do Estudante da Abril. São rankings que indicam acertos e onde podemos melhorar. Os bons conceitos ajudam a atrair parceiros e projeta a universidade. Estamos legitimando todo o investimento que a sociedade catarinense faz na nossa universidade.

[PE] – Falando em investimento, a Udesc depende exclusivamente do duodécimo que recebe do Executivo estadual?
Marcus Tomasi – O recurso do Tesouro corresponde hoje a 85% do orçamento da Udesc. Os outros 15% são projetos de pesquisas de âmbito federal e setor privado. O ideal seria o equilíbrio, mas isso não ocorre no Brasil de uma maneira geral. De qualquer forma, queremos viabilizar mais pesquisas, as atividades extensionistas, a manutenção de laboratórios. Só com recursos públicos nós não conseguimos. Para 2018, considerando todas as fontes, estamos com orçamento de R$ 420 milhões.

[PE] – E o ideal seria?
Marcus Tomasi – Nós nos concentramos muito mais no que temos do que no que deveríamos ter. Mas seria bom aumentar o percentual do duodécimo para viabilizar, por exemplo, a Educação a Distância (EaD) própria da Udesc. Hoje nós temos pela Universidade Aberta do Brasil, com dependência de recursos federais que nem sempre fluem como o planejado. Em 2016, nós tentamos um aumento do nosso percentual em 0,17%, justificado por duas questões: recursos para viabilizar os laboratórios e um projeto de EaD, identificando onde não estamos e as demandas  para oferecer cursos de bacharelado ou tecnólogo, por exemplo. Com a possibilidade de itinerância desses cursos, que são semipresenciais. Essa medida geraria um impacto muito positivo, principalmente para as cidades distantes de onde hoje temos polos. Vamos continuar conversando com as lideranças políticas, tentando sensibilizar para o projeto de EaD.

[PE] – O que o senhor ainda tem como metas?
Marcus Tomasi – A Udesc precisa se relacionar mais. Com as lideranças políticas, com as lideranças empresariais, com os organismos sociais, culturais, artísticos. A Udesc precisa se mostrar, buscar espaços de representação. O que precisamos é que a sociedade sinta que essa universidade é sua. Quem banca essa conta tem que perceber que está valendo a pena cada centavo aplicado aqui. Seja na formação de profissionais de ponta, nas pesquisas, na extensão. Não cabe mais, em nossos dias, ter uma universidade intramuros, apartada da sociedade. O modelo de universidade pública é muito bom, só precisa ser aperfeiçoado na relação com o mundo lá fora. É essencial as pessoas saberem que podem buscar apoio e soluções na Udesc. E nós, da Udesc, estarmos convictos de que temos obrigação de ajudar.