Por: SC Portais

Governador Eduardo Moreira e os secretários de Estado da Defesa Civil, Rodrigo Moratelli, da Segurança Pública, Alceu de Oliveira, e da Agricultura, Airton Spies, falaram com a imprensa no final da tarde dessa sexta-feira (25) e avaliaram a situação gerada pela greve dos caminhoneiros. O Comitê de Crise instalado na noite de terça (22) acompanha a situação em todas as rodovias. Segundo Moratelli, 164 estradas federais, estaduais e municipais no território catarinense têm alguma manifestação. No momento da entrevista, somente uma tinha bloqueio, mas, de uma maneira geral, as manifestações dos grevistas são pacíficas.
O governador garantiu que não abrirá mão de arrecadação para ajudar a amenizar o clima tenso que se instalou no país, posição tomada diante da proposta apresentada pelo governo federal no Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) e que levaria à perda de R$ 7 milhões por mês para os cofres do Estado. A única possibilidade de isso acontecer é a União apresentar compensações. Moreira afirmou que “Santa Catarina não pagará uma conta que não é nossa” e disse que não pretende lançar mão das forças nacionais de segurança para conter as ações dos grevistas por aqui. “Estamos pagando as consequências de um governo fraco e de uma grande impopularidade”, justificou.
Referindo-se ao evento da ADI-SC, Jornada de Debates Fake News X True News, do qual participou na quinta-feira (24), Moreira pediu o cuidado dos jornalistas ao tratarem da greve e suas consequências. “O momento exige responsabilidade.”
A história se repete

A Fecomércio-SC fez uma sondagem para avaliar o nível de desabastecimento causado pela greve dos caminhoneiros. A pesquisa foi aplicada em 15 cidades de diferentes regiões do estado. Para 77,3% dos 118 entrevistados, a paralisação afetou o abastecimento e a atividade da empresa de alguma maneira. Os segmentos mais afetados foram transporte intermunicipal, postos de gasolina e restaurantes. A maioria deles (60,5%) não se preveniu. Adiantar folgas, buscar insumos diretamente na distribuidora, estabelecer limite de compra por cliente, buscar o fornecedor mais próximo do estabelecimento e reduzir horário de atendimento de atendimento estão entre as estratégias para superar a crise que ainda não tem data para acabar. A Federação das Indústrias (Fiesc) estima que só a agroindústria já acumula perdas de R$ 200 milhões por conta da greve. (Na foto de arquivo de Valter Campanato/Agência Brasil da Agência, de 2015, em outro momento de pressão dos caminhoneiros)

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“Passou da hora de uma revisão ampla e profunda do pacto federativo, com o fortalecimento dos municípios. A divisão tributária deve ser na medida exata para pagar os serviços do governo federal em cada região. Não dá mais para enviarmos a produção do nosso trabalho, do nosso suor, em tributos a Brasília.”
Ex-defensor público-geral do Estado, Ralf Zimmer Junior, sobre o momento do país
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A paralisação dos caminhoneiros tem reflexos também na corrida eleitoral. O governador Eduardo Pinho Moreira, que não afirma, mas também não nega claramente a possibilidade de ser candidato à reeleição pelo MDB, cancelou evento de avaliação de 100 dias de sua gestão, que daria nessa sexta-feira (25). Está se dedicando integralmente ao controle da crise de desabastecimento causada pelo movimento.

O deputado Gelson Merisio (PSD), que neste sábado (25), em Chapecó, teria um grande ato de lançamento da pré-candidatura ao Executivo estadual, teve que transferir a atividade para o próximo sábado (2 de junho) por conta do protesto dos caminhoneiros. A falta de combustíveis poderia impedir a participação de apoiadores vindos de todas as regiões.

Não é só Se em ano não eleitoral os políticos, com ou sem mandato, já aproveitam os finais de semana para o contato com as bases, em ano eleitoral, como é 2018, ainda mais preciosos são os períodos da quinta-feira à tarde até segunda-feira à noite, usados para planejar, firmar estratégias e conquistar apoiadores. Mas os roteiros previstos tiveram que ser deixados de lado ou encurtados. Ninguém quer ficar no meio do caminho. Literalmente.

Anúncio Na saída da Jornada de Debates promovida pela ADI-SC na quinta-feira (24), o deputado federal Esperidião Amin (PP) foi questionado se iria ao ato de lançamento da candidatura de Merisio. Respondeu que sim e declarou na sequência: “Vou lá para lançar a minha candidatura”. Como não seria de bom tom aproveitar a festa alheia para anunciar concorrência, das duas, uma: Ou Amin vai acertar a posição de vice ou concorrerá ao Senado.