Por: SC Portais

Há alguns anos, era comum os jornalistas do eixo Rio-São Paulo manterem um ar de superioridade quando em pautas com colegas de estados de menor projeção. Mas, no caso dos profissionais de imprensa de Santa Catarina, esse comportamento não colou. É que a resposta de todos os jornalistas com atuação por aqui era uma apresentação do hotel em que estava hospedado, fosse no Rio, em São Paulo ou em praticamente qualquer outro estado do país, como uma pequena mostra do que se produz em terras catarinenses. As roupas de cama e banho provavelmente foram produzidas em Blumenau; tubos, torneiras e até as louças dos banheiros tinham marcas de Joinville; os revestimentos cerâmicos certamente eram originários de Criciúma; no café da manhã, maçãs, kiwis e uvas, por exemplo, vinham diretamente da nossa Serra; sem falar nos embutidos, saídos de alguma agroindústria do Oeste.
Era assim, com uma pequena lista do que Santa Catarina produzia – e produz muito mais – que se calava a boca de quem, por desconhecimento, tentava humilhar nosso estado. Diante da crise resistente que se instalou no país, mais do que em qualquer outro momento é necessário valorizar os produtos catarinenses. E é exatamente este o objetivo do movimento “Compre de Santa Catarina”, criado para incentivar a retomada do crescimento econômico após a paralisação dos caminhoneiros, que durou 11 dias, e que gerou prejuízos consideráveis ao Estado, com reflexos que ainda serão sentidos nos próximos meses por todo o setor produtivo. A iniciativa foi oficializada pelo governador Eduardo Pinho Moreira, nesta sexta-feira (8), ao lado de entidades representativas e imprensa, que também apoiam o projeto.

A justificativa é simples: quando você compra produtos catarinenses, ganham a população e o Estado, a economia se fortalece, há mais desenvolvimento, com geração de emprego e renda. E todo esse ciclo virtuoso contribui para aumentar a arrecadação. Nas fotos da Secom, o governador Pinho Moreira assume o papel de garoto propaganda enquanto saboreia o milho produzido em Xanxerê e o famoso Schnecke, da gastronomia típica alemã.

Como o senhor define o movimento “Compre de Santa Catarina”?
Eduardo Moreira – Esse movimento, que foi uma das primeiras medidas anunciadas, ainda durante a paralisação dos caminhoneiros, vem para ressaltar que Santa Catarina tem força suficiente, discernimento, paixão e energia para recuperar e alavancar a economia. É para lembrar que os nossos produtos são reconhecidos mundialmente pela qualidade, que passamos pela crise e agora é hora de valorizar o trabalho, recuperar o tempo perdido e colocar Santa Catarina no patamar de desenvolvimento que sempre orgulhou a todos nós. É por isso que podemos dizer: compre porque é bom; e compre porque é nosso. Assim, vamos contribuir para a geração de empregos, a competitividade, sustentabilidade, estimulando toda cadeia. Ganha Santa Catarina e ganha o catarinense.Qual a expectativa?
Eduardo Moreira – Contamos com o apoio de todos. As entidades representativas da sociedade, assim como a imprensa, têm se mostrado solícitas à causa. Tudo é possível para um povo que já passou por tantas adversidades. “Compre de Santa Catarina” faz parte de um mesmo movimento. Um povo que valoriza seu produto, o local onde vive e contribui com o desenvolvimento. Um povo que nos orgulha e mostra que somos capazes de ser cada dia melhores e que nada nos faz desanimar. Não é uma ação isolada, ou apenas de governo. É um movimento que soma. Quem ganha é a nossa gente, o trabalhador e as famílias.

Por que aderir ao “Compre de Santa Catarina”?
Eduardo Moreira – Quando você compra um produto produzido em Santa Catarina, 100% do que é arrecadado de imposto sobre esse produto é revertido em serviços ao cidadão catarinense. Podemos usar o exemplo de uma geladeira que custa R$ 2 mil. Se você compra uma geladeira produzida no nosso Estado, o imposto é R$ 340,00 (alíquota de 17%). Esse valor é contabilizado na arrecadação do Estado e é investido em serviços à população. Se você optar por comprar uma geladeira produzida em São Paulo, 70% do imposto fica com São Paulo e apenas 30% vem para Santa Catarina. Nesse caso da geladeira, teríamos apenas 100,00 de imposto para investir, já que os outros R$ 240,00 ficam com São Paulo.

Qual a importância de incentivar e fortalecer a economia estadual?
Eduardo Moreira – Santa Catarina passa por mais um momento em que as escolhas são decisivas, em que a união de esforços, a coragem e a determinação são fundamentais para que se possa alcançar o que todos desejam: a rápida recuperação da economia, com a garantia de empregos e renda e, com isso, o bem estar dos cidadãos. E o Estado teve muitas perdas com a paralisação dos caminhoneiros, mas mesmo assim, mais uma vez Santa Catarina saiu na frente, seja em termos de organização diante da crise ou na sua recuperação. Quando você compra produtos catarinenses você faz mais que levar qualidade para casa, você também promove o crescimento de nossas empresas, gera empregos por todo Estado, fortalece nossa economia e aumenta nossa arrecadação e a sustentabilidade.  O retorno dos impostos é maior. As pessoas ganham com isso.

O que temos de melhor em produtos?
Eduardo Moreira – Somos referência no setor têxtil e de tecnologia, nas frutas e alimentos da nossa terra. Temos o melhor mel do mundo e a melhor produção de maçã. Orgulho dos calçados que fortalecem nossa caminhada. Dos móveis e do artesanato. Da nossa carne e derivados, que ganham as mesas de outros continentes. Das ostras e mexilhões. De nossos refrigerantes, do leite. Da nossa cerâmica. Do vinho e da cerveja. Dos produtos que têm o DNA de um povo trabalhador e acolhedor. É isso que faz de Santa Catarina uma referência para o Brasil e para o mundo.

Ao que o senhor atribui essa força do Estado, do povo catarinense?
Eduardo Moreira – Somos um Estado forte, com uma economia sólida. Açorianos, italianos, alemães, africanos entre outras etnias, com seu trabalho construíram as bases para que Santa Catarina se tornasse um reduto de prosperidade. Nosso povo tem uma capacidade surpreendente de reação, um espírito empreendedor, solidário, é forte, bom e vence desafios. Um povo que constrói e se reconstrói todos os dias. A força dos catarinenses se confirma quando vemos que com apenas 1,12% do território nacional, nosso estado se consolida como grande produtor de alimentos.

O senhor acompanhou diuturnamente tudo o que envolveu a paralisação dos caminhoneiros.
Eduardo Moreira – Sim, nosso objetivo era amenizar os impactos da paralisação e garantir os serviços essenciais à população.  Em nenhum momento faltou decisão. Dedicação exclusiva para garantir que tudo se mantivesse em funcionamento, com equilíbrio. O comitê de crise, instalado dentro do Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres (Cigerd), foi extremamente dedicado, competente em encontrar soluções para as demandas complexas que foram surgindo nesses onze dias. Aproveito para agradecer a todos que se dedicaram a isso. O povo catarinense pode ter orgulho das pessoas que prestaram serviços públicos. Foi mantida uma condição de equilíbrio e isso foi fundamental para vencermos a crise. Por isso, nosso estado exemplar e nós rapidamente estamos voltando ao normal.

Outras medidas serão tomadas?
Eduardo Moreira – Estamos dando todo apoio possível e necessário para que voltemos à normalidade.  Todos os setores produtivos tiveram perdas importantes e é claro que essa repercussão já está sendo vista. Nos próximos meses, teremos que enfrentar dificuldades, exigindo muita racionalidade, economia e planejamento. Vamos continuar nosso trabalho. Santa Catarina não para.

Como as pessoas podem aderir à campanha?
Eduardo Moreira – Queremos que as pessoas se conscientizem que, quando forem ao mercado, lojas, comércio em geral, escolham os produtos catarinenses. Com isso, não estarão só levando qualidade para casa, mas também contribuindo com o desenvolvimento do Estado, pois a arrecadação aumenta e, consequentemente, gera melhorias na saúde, educação, segurança, infraestrutura e garante mais empregos. Todas as informações estarão no site www.sef.sc.gov.br. As entidades estão envolvidas mobilizando e conscientizando os setores da importância da participação. Estamos dando a largada a um movimento que não é apenas de governo, mas de todos os catarinenses. É apenas o início de um grande engajamento em favor de Santa Catarina.

Editado por Andréa Leonora
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