Por: SC Portais



Presidente da Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina (Facisc) desde outubro de 2017, Jonny Zulauf está acompanhando de perto todas as reações da atividade produtiva do estado e seus reflexos sobre os associados. Advogado, empresário, professor de Direito Empresarial da Univille, nesta entrevista ele conta um pouco do que tem observado, fala da resistência da entidade contra o aumento do peso tributário, apresenta números e demonstra otimismo com a recuperação econômica de Santa Catarina, mais célere do que a do Brasil. Ele também fala do Projeto Voz Única, que será lançado na próxima quarta-feira (9) durante a Expogestão, em Joinville. Zulauf explica que é a terceira edição do projeto que, nas eleições de 2010 e de 2014, limitava-se a apresentar um diagnóstico do estado aos candidatos. Na edição de 2018, além do levantamento de dados, a Federação vai apresentar todas as ações e medidas necessárias da parte do governo federal e do estadual para o desenvolvimento econômico sustentável de Santa Catarina, além de um relatório do que ficou faltando fazer das edições anteriores.

[PeloEstado] – Qual é a posição a Facisc em relação à Medida Provisória 220, que promove mudança na tributação do ICMS?
Jonny Zulauf –
A Facisc é contra qualquer aumento de carga tributária. Não podemos aceitar que haja uma redução para alguns segmentos e que outros tantos sejam prejudicados por conta de uma compensação. Neste momento, sabemos que o Estado não pode perder arrecadação. É uma realidade. Esperamos que haja um consenso para que ninguém seja penalizado.

[PE] – Como a Facisc vem atuando contra o aumento de carga tributária?
Jonny Zulauf –
A Federação luta desde sua criação, há quase 47 anos, para que a carga tributária não aumente, e, se possível, reduza. A Facisc está capitaneando, por exemplo, uma solução para a questão do sublimite do Simples, que gerou um aumento de carga tributária expressivo, em torno de 5% a 10% no ICMS das empresas optantes pelo Simples. Já estivemos em reunião com o governador Pinho Moreira e com o secretário da Fazenda, Paulo Eli.  Estamos atuando junto com entidades como Aemflo, CDLs, Abrasel e Conselho Regional de Contabilidade. As entidades encontraram, juntas, uma solução adequada para “neutralizar” o aumento do ICMS para os optantes do Simples que faturam acima do sublimite – entre R$ 3,6 milhões e $ 4,8 milhões, que seria manter a alíquota atual de 3,95%.

[PE] – Isso é viável?
Jonny Zulauf –
A solução pode ser implantada a curto prazo, já que existe uma posição favorável do governador Pinho Moreira e do secretário Paulo Eli em atender à solicitação das entidades de não aumentar a carga tributária. Aumentos como esse inibem o crescimento e favorecem a informalidade. Esse impacto iniciou em 1º de janeiro e tem levado muitas empresas a riscos sérios em relação à sua sobrevivência.

“O posicionamento da Federação é sempre a favor do crescimento e do desenvolvimento catarinense” | Foto: Renato Gama/Facisc

 

[PE] – A Facisc acompanha de perto o movimento das empresas catarinenses. Como vê a recuperação da economia neste momento pós-crise?
Jonny Zulauf –
A economia brasileira vem vivendo um processo ainda recente de recuperação da atividade econômica. No ano de 2017, o crescimento do PIB foi de 1%. A indústria e o comércio se recuperam em uma velocidade maior que os outros segmentos, sendo que a produção industrial cresceu 3,0% nos últimos 12 meses (até fevereiro de 2018) e o comércio cresceu 2,8% no volume de vendas. Por outro lado, os setores de serviços e turismo registraram resultados negativos (2,4% e -5,50% respectivamente), ainda que em índices muito menores dos que foram alcançados nos últimos anos. Com isso, no início de 2018 já temos a atividade econômica crescendo 2,0% no Brasil.

[PE] – Que fatores contribuem?
Jonny Zulauf –
Os fatores macroeconômicos,  como a queda da inflação e da taxa de juros, por exemplo, vêm surtindo efeitos positivos na economia brasileira, amparando sobremaneira um cenário de maior estabilidade, ou, em última análise, de menor instabilidade. Entretanto, é de salientar que a recuperação da economia brasileira vem se  dando de maneira branda, com ajustes ocorrendo sobretudo de forma gradual. Portanto, apesar de estarmos num contexto que passa por uma melhora das expectativas, com reflexos importantes na retomada do crescimento, ele é moroso.

[PE] – E como Santa Catarina reage neste cenário?
Jonny Zulauf –
Santa Catarina vem se recuperando também, mas, ao contrário do Brasil, a recuperação ocorre de maneira mais célere. A indústria catarinense aumentou sua produção em 5,10%, o comércio varejista foi o que mais cresceu no país (14,20%) e o turismo cresceu 6% nos últimos 12 meses (até fevereiro de 2018). Apenas o setor de serviços registrou queda de 4%. Da mesma fora, apesar de ser um resultado negativo, o índice foi menor que o observado no mesmo período de 2017, que foi de – 9%. Outro indicador relevante, e que tem correlação com a atividade econômica, é o consumo de energia elétrica.

[PE] – Houve aumento?
Jonny Zulauf –
Sim. Só em Santa Catarina, o consumo de energia cresceu 3,98%, sendo que na média nacional o crescimento foi apenas de 0,77%. Não estamos isentos dos efeitos da conjuntura nacional sobre o estado, mas estamos apresentando resultados econômicos expressivos e maiores que a média nacional. É um movimento que tende a ser contínuo, em 2018 e nos próximos anos.

[PE] – 2018 é ano eleitoral. Como a Facisc vai se posicionar?
Jonny Zulauf –
O posicionamento da Federação é sempre a favor do crescimento e do desenvolvimento catarinense. É por conta disso que vamos lançar mais uma edição do Projeto Voz Única, na próxima quarta-feira (9), na Expogestão, em Joinville. Durante a reunião da Federação, onde estarão presentes cerca de 100 presidentes de associações empresariais do estado, a Facisc vai mostrar as novidades para a edição deste ano.

[PE] – E como funciona?
Jonny Zulauf –
O Voz Única busca unificar a voz da classe empresarial em torno das questões e bandeiras em prol do desenvolvimento econômico de Santa Catarina. O objetivo do projeto é levantar as reais necessidades e os entraves a este  desenvolvimento. Com isso, pretendemos auxiliar os governantes e parlamentares na elaboração de seus planos de ação, a partir da ótica empresarial. A Facisc levantará uma série de ações e atitudes que precisam ser realizadas em nível federal e estadual para que Santa Catarina tenha a garantia do desenvolvimento socioeconômico sustentável. As informações são divididas por área: infraestrutura, economia, reforma fiscal, reforma política, reforma trabalhista, saúde, educação, segurança pública e outros temas de interesse geral. Este conteúdo será levantado junto às associações empresariais em toda Santa Catarina e líderes empresariais ligados à Facisc.

[PE] – O senhor falou em novidades. Quais serão?
Jonny Zulauf –
O Voz Única foi, até a última edição, em 2014, não mais que um diagnóstico. As novidades da edição 2018 estarão por conta do monitoramento dos levantamentos feitos nas de 2010 e 2014, com ações que foram ou não realizadas, e o engajamento da sociedade como um todo através da ampliação do projeto. O Voz Única reúne os anseios da Facisc, das 146 associações empresariais, cerca de 80 mil empresários e, consequentemente, 2 milhões de eleitores, considerando todo o engajamento em cadeia que ele proporciona.

[PE] – A segurança é um tema que está na pauta da Facisc. Como será a atuação?
Jonny Zulauf –
Uma das frentes de atuação desta gestão da Facisc é a segurança. No final de 2017, a Segurança Pública foi apontada, em pesquisa realizada pela nossa Federação com empresários que fazem parte do Sistema Facisc, como um dos temas que mais preocupam e deveria estar entre as cinco prioridades de atuação do governo em 2018. Por conta disso, a Facisc já iniciou um movimento em Santa Catarina para unir forças em prol da sociedade e foi assinado um protocolo de intenções com a Polícia Militar de Santa Catarina. Temos como objetivo promover a cooperação e apoio mútuos para o desenvolvimento de manuais, disseminação de metodologias e inovações implementadas pela PMSC, institucionalização da participação da corporação no Programa  de Desenvolvimento Econômico Local (DEL), criação de um fórum, além da realização de eventos que discutam a segurança em Santa Catarina e o papel da classe empresarial.