Por: SC Portais | 29/05/2018
Sem querer imprimir um tom alarmista, mas o fato é que, mesmo com o fim da greve dos transportadores de cargas, o estrago já está feito e será necessário um tempo até que a normalidade seja retomada. Isso porque absolutamente tudo está interligado, castigo para um país de dimensões continentais que optou pelas rodovias em detrimento das ferrovias e do transporte marítimo de cabotagem, aquele feito pela costa do país, de porto a porto.
Não há aqui crítica ou elogio ao movimento dos caminhoneiros e, agora, dos petroleiros. Apenas a constatação do atraso do Brasil (também) quando o assunto é infraestrutura de transportes. Supermercados, postos de combustíveis, farmácias, oficinas e um sem fim de outras atividades vivem o desabastecimento e é a população que sofre. O governo do Estado, que já vinha fazendo malabarismos para equilibrar as contas tendo de um lado a queda de arrecadação e de outro o aumento de despesas, já calcula o que deixará de arrecadar como resultado da greve.
Afinal, sem mercadorias, não há comércio ou produção industrial e, portanto, nada de tributos para os cofres públicos. Não diga “bem feito!” antes de lembrar que é desses impostos que eu e você pagamos – ainda que outros soneguem – que saem os recursos para a Segurança Pública, a Saúde, a Educação, a Assistência Social, a Udesc, a Justiça, a Assembleia. E para os municípios, especialmente os pequenos, em muito dependentes dos repasses do Estado e da União, e que já amargam uma situação caótica. Agora é torcer. Mais do que para o Brasil na Copa.
Corrida do GNV

Se tem um segmento que está “se dando bem” com a paralisação dos caminhoneiros é o de instalação de kit gás, aquele que acrescenta aos automóveis a alternativa de rodar com gás natural veicular, o GNV. A Associação Catarinense dos Organismos de Inspeção (ACOI) já registrou um acréscimo de 20% na procura pelo serviço, começando o incremento mais forte dois dias depois do início da greve. Segundo Alessandro Cim, diretor da entidade, isso se deve não só ao desabastecimento de gasolina e de etanol, mas da percepção da economia. “Num comparativo, o condutor paga hoje 15 centavos no km/rodado com GNV, enquanto com gasolina esse custo sobe para 45 centavos o km/rodado”, explica. O presidente da SC Gás, Cósme Polêse, acredita que a crise que o país está vivendo é uma oportunidade para uma política de investimentos no gás natural. “Quem opta pelo gás natural, que em Santa Catarina é entregue quase que em sua totalidade via rede canalizada, portanto não depende de transporte rodoviário, mantém as atividades da indústria e continua rodando com seu carro. O gás natural leva economia, qualidade de vida, conforto e é menos poluente. É motor do desenvolvimento. Por isso, toda Santa Catarina merece ter acesso a este insumo. Será com ele que construiremos a ponte para a energia renovável”, defendeu. (Foto: Rafael Rossetti)

“O Brasil vai se encontrar com sua realidade em janeiro de 2019. E ela,
certamente, estará mais deteriorada em razão da inércia do Governo e do Congresso em avançar nas reformas. As contas públicas estarão mais degeneradas e o desequilíbrio fiscal, acentuado. Por isso, a pauta será dura, mas inadiável sob pena de o país ficar ingovernável. ”
José Zeferino Pedrozo – Pres. da Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc) e do Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar-SC)
Camaradagem Deputado federal Jorginho Mello, que já se colocou como pré-candidato ao governo do Estado pelo partido que preside, o PR, fez uma visita ao prefeito de Joinville, Udo Döhler, do MDB. Disse que foi uma visita de cortesia, mas não negou que a conversa passou pelo cenário político, estadual e nacional.

Governo rendido Sobre a situação gerada pela paralisação dos transportadores de cargas, Mello acredita que a semana que começa hoje na Câmara federal e no Senado será duríssima. Em conversa com a Coluna Pelo Estado, criticou a demora do governo federal em se posicionar e reagir diante da greve dos caminhoneiros. “O governo é fraco, está rendido, e a confusão pode se espraiar. Os petroleiros já anunciaram greve também”, citou.

Falando nisso… O governador Eduardo Pinho Moreira, mersmo sendo do mesmo partido do presidente Michel Temer, o MDB, não tem aliviado o tom na hora de fazer críticas. Afirma com todas as letras que Santa Catarina não vai pagar o preço de um governo que também trata como fraco.

Rodoviárias Catarinenses que precisam de informações sobre cancelamentos de viagens rodoviárias intermunicipais e interestaduais podem acessar o link  bit.ly/2xeCIQL, que centraliza comunicados emitidos desde o início da greve de caminhoneiros sobre atrasos e cancelamentos de mais de 50 viações. A iniciativa é do BuscaOnibus, portal com sede em Florianópolis e que traz informações de mais de 160 viações do país e Mercosul.