Por: SC Portais | 20/08/2018
Todo mundo sabe que Santa Catarina tem uma economia diversificada e que a produção das riquezas catarinenses não está concentrada nesta ou naquela região. Acontece em todos os lugares do estado, em atividades tradicionais ou por meio da chamada nova economia, fortemente baseada na tecnologia. Outro diferencial do nosso estado em relação à maior parte dos demais está no fato de ter a maioria dos municípios de pequeno ou médio porte, sendo que o maior deles em população, Joinville, não é a Capital. Diante destas constatações, e embalada pelo período eleitoral, a Coluna Pelo Estado ouviu todas as entidades que compõem o Conselho das Federações Empresariais de Santa Catarina (Cofem) em busca de uma resposta: o que não pode faltar no plano de gestão do próximo governador? A visão do setor produtivo, que você lê nesta página, foi complementada com a opinião também da entidade que representa os municípios catarinenses. As opiniões podem ser diferentes, mas nunca são divergentes. De uma maneira geral, o que todos manifestam é a necessidade de melhores condições para que o estado possa se desenvolver de forma sustentável.
“A prioridade das prioridades do Sistema Facisc é a infraestrutura do nosso estado. Nosso desenvolvimento econômico está intimamente ligado à capacidade que temos de escoar a nossa produção. Um estado que tem tamanha vocação turística também precisa de estrutura para receber e permitir que o capital trazido pelos turistas circule por todo o território. No Programa Voz Única, em que a Facisc levanta com suas 146 associações empresariais o que Santa Catarina precisa para se desenvolver, e entrega o documento a todos os candidatos, novamente a infraestrutura, seja de rodovias, portos, aeroportos, e das tão sonhadas ferrovias, foi eleita a principal necessidade, com mais de 47% das demandas apontadas. Não tem como ser empresário, cidadão, e não enxergar os gargalos gerados pela falta de infraestrutura. Os próximos governantes podem sim fazer a sua parte ou articular a busca por soluções.”
Jonny Zulauf, presidente da Federação das Associações Empresariais (Facisc)

“O agronegócio é uma das principais locomotivas da economia catarinense. Entretanto, a competitividade do setor é muito abalada pelas deficiências logísticas de Santa Catarina. Nas zonas rurais, é necessário melhorar o sistema de estradas vicinais para a retirada da produção primária. É urgente a recuperação das rodovias estaduais e federais que, em más condições, chegam a encarecer em 30% os custos de transporte aos portos marítimos e centros de consumo. O caso mais emblemático é a BR-282, única porta de saída do Grande Oeste catarinense. Em outro setor, é essencial a cooperação do Estado para a manutenção do status sanitário catarinense, condição para sustentar as exportações.  Paralelamente, é preciso melhorar o atendimento de saúde à família rural, bem como os serviços públicos em geral.”
Presidente da Federação da Agricultura e Pecuária (Faesc), José Zeferino Pedrozo

“O próximo governo, para ser novo mesmo, precisa apoiar de fato o segmento das micro e pequenas empresas, que mais gera emprego, promovendo o desenvolvimento social e econômico do estado. Precisa ampliar o programa Juro Zero para microempresas, além de criar novas linhas especiais de crédito para as pequenas. Deve apoiar os municípios para a desburocratização de alvarás, com integração da vigilância sanitária, bombeiros e demais órgãos. Defendemos a repactuação do duodécimo para os poderes, aumentando a parcela do Executivo e sua capacidade de investimento em infraestrutura e educação. Para os empreendedores atingidos por catástrofes climáticas, muito comuns no estado, precisamos de linhas especiais de crédito, sem burocracia.”
Presidente da Associações de Micro e Pequenas Empresas e Empreendedor Individual (Fampesc), Alcides Andrade

“Entre as prioridades do municipalismo para o período 2019-2022, destacamos a promoção de estratégias para a modernização da infraestrutura e a retomada do crescimento econômico estadual. O Estado precisa recuperar o papel de propulsor da economia, principalmente por meio da ampliação dos investimentos públicos. Os municípios são os entes que mais sofrem com a estagnação econômica e a queda de arrecadação dos últimos anos desafiou ainda mais os gestores municipais a equilibrarem receitas e despesas. Neste contexto, também advertimos que o próximo governador deve enfrentar com responsabilidade o necessário enxugamento da máquina pública. A retomada do crescimento e a redução de custos do Estado permitirão o custeio das políticas públicas e a melhoria do atendimento à sociedade. Enquanto FECAM, contribuiremos com a governança estadual e, em âmbito municipal, já atuamos na direção da implementação de medidas que tornem a gestão mais eficiente. Exemplo disso, é o projeto Municípios Solares, uma iniciativa para incentivar o investimento municipal em usinas solares.”
Presidente da Federação Catarinense de Municípios (Fecam), Volnei Morastoni

“O Estado deve ser forte na prestação de serviços à população, principalmente na Segurança Pública, Saúde e educação. É fundamental investir em Ciência e Tecnologia, aplicando os 2% constitucionais em pesquisa científica, para ir à contramão do baixo investimento nacional e posicionar o estado na rota do futuro. A expectativa é que o próximo governador trabalhe com uma máquina pública enxuta e eficiente, o que ajudará a recuperar o fôlego fiscal do estado para investir na atividade produtiva e ampliar a concessão de crédito via bancos de fomento. Nestes anos de recessão, os empresários ‘cortaram na carne’. O governo também pode fazer o mesmo, começando pelas secretarias e cargos desnecessários e gastos exorbitantes com órgãos e aparelhamento da própria estrutura. O setor terciário, representado pela Fecomércio-SC, responde por 52,9% da arrecadação do ICMS para o estado e emprega 1,4 milhão de pessoas formalmente. O aumento de impostos impacta diretamente na competitividade. A prioridade agora é melhorar a qualidade de vida dos catarinenses, via crescimento da atividade econômica e geração de empregos. Precisamos de transparência na gestão pública, na concessão de benefícios e nas prioridades do orçamento público. Sem controle da dívida pública, o Estado seguirá drenando recursos arrecadados por todos nós.” Presidente da Fecomércio-SC, Bruno Breithaupt

“A prioridade das prioridades para o novo governador será a manutenção das rodovias estaduais. Acima de tudo, a duplicação das SCs deve integrar a agenda de ações para os próximos quatro anos, além da continuidade dos trabalhos para as federais. O novo governador de deverá buscar, junto ao governo federal, recursos para a duplicação das BRs 470 e 280, porque, embora sejam federais, já estão há muito tempo esperando por ampliação, têm recursos designados e, até então, estão com obras paradas. O compromisso precisa ser a duplicação dos trechos já definidos a partir de Indaial até a BR-101. Além disso, ansiamos por compromisso na busca de solução para o trecho de Indaial até o Oeste. Este percurso da BR-470 está precário e tem prejudicado muito o nosso segmento, principalmente considerando o custo fixo de R$ 100/hora do caminhão parado no trânsito.”
Presidente da Federação das Empresas de Transporte de Carga e Logística, Ari Rabaiolli

“Termômetro da economia, o varejo projeta três prioridades para o próximo governador: infraestrutura e mobilidade, justiça tributária e bem-estar social. Se enquadram nestes pilares ações para melhoria e conservação na infraestrutura rodoviária, notadamente nos eixos Norte-Sul e Oeste-Litoral, investimentos em segurança pública – seja com a presença física de policiais ou videomonitoramento – e fortalecimento no combate à atuação predatória do comércio ilegal. A perspectiva de crescimento do comércio passa por pontos que abrangem políticas de maior magnitude, mas que também estimulam o empresário a investir e permitem ampliar a economia do estado.” Presidente da Federação das CDLs (FCDL-SC), Ivan Tauffer

“As mudanças precisam ser disruptivas, pois o atual modelo de gestão pública se esgotou. Em vez de focar nos interesses dos políticos e corporações, o Estado, em suas três esferas, precisa estar em efetiva sintonia com as expectativas e necessidades da sociedade. E isso não pode ser apenas discurso. A Fiesc espera comprometimento com o não aumento de carga tributária e a redução dos gastos públicos, para que possa haver, num segundo momento, o início da queda dos tributos, a fim de estimular a economia e a geração de empregos. A Carta da Indústria apresenta propostas para as áreas de educação, capital humano, inovação e empreendedorismo, infraestrutura, saúde e segurança, internacionalização, investimentos e políticas públicas, além de desenvolvimento do mercado.”
Presidente da Federação das Indústrias (Fiesc), Mario Cezar de Aguiar