Por: SC Portais

Em um evento concorrido, com inúmeras autoridades e lideranças, políticas e empresariais, o ex-presidente do Banco Central e ex-ministro da Fazenda Henrique Meirelles fez uma palestra na sede da Federação das Indústrias (Fiesc) com o tema Desafios e Perspectivas da Economia em 2018. Ele veio ao estado à convite do LIDE (Grupo de Líderes Empresariais) de Santa Catarina. Ao apresentar Meirelles da abertura do almoço-debate promovido pela entidade, Vilfredo Gomes disse que o ano, por ser de eleições, é “extremamente vital para o futuro. O nosso futuro, de nossos filhos e de seus netos”.
Antes da palestra propriamente dita, o governador Eduardo Moreira destacou a importância do ex-ministro para a economia do país, lembrando que ele foi responsável, junto com o presidente Michel Temer, pela recuperação da atividade produtiva. Henrique Meirelles falou sobre a importância das reformas que foram feitas para que o país vivesse a recuperação que vive agora e disse que a sociedade percebe isso. Como prova, mostrou gráficos que indicam o salto no consumo de bens duráveis, sinal da elevação do nível de confiança das famílias.

Outro ponto positivo destacado pelo ex-ministro é a queda inflacionária. Depois de fazer um passeio pelos dados econômicos, o ex-ministro passou para a política. Ele se filiou recentemente ao MDB e já colocou o nome à disposição para disputar a presidência da República. Falou sobre os candidatos mais eufóricos e, por isso mais presentes na mídia, reforçando a importância do resultado das eleições gerais de 2018 para o sucesso ou o retrocesso da economia brasileira.

Rebolation

Foto: Andréa Leonora

Não há ato, cerimônia ou palestra que não ganhe um ar mais leve quando está presente o ex-governador Casildo Maldaner, presidente de Honra do MDB-SC. Ontem, logo depois da palestra, ele cercou o ex-ministro Henrique Meirelles para dar umas dicas. Disse que o pré-candidato à presidência precisa ter mais rebolation. Sem inibição, ensinou uma reboladinha para mostrar ao “aluno” a necessidade de se ter jogo de cintura na política. Meirelles não se fez de rogado, deu a sua reboladinha também e ainda perguntou ao “mestre” se era assim que deveria fazer? Quem estava observando a conversa, claro, caiu na risada. Maldaner contou que ensinou a mesma tática ao prefeito de Joinville, Udo Döhler. “E deu certo! Ele foi eleito!”

Privatista O discurso de Henrique Meirelles agradou. Ele defendeu as privatizações e as concessões como forma de reduzir o tamanho do Estado, que, para ele, precisa ser mais eficiente em áreas como saúde, educação e segurança. Para exemplificar, lembrou a situação da telefonia do país antes da privatização da Telebrás, Sem recursos para investir, a empresa era cara, ineficiente e não tinha bons serviços, segundo contou. “O mesmo acontece hoje com o setor energético. O país não tem dinheiro para investir porque tem gastos enormes, como, por exemplo, com a Previdência.”

Renúncia fiscal Ao responder à Coluna Pelo Estado se a renúncia fiscal é uma boa política de desenvolvimento sustentável, Meirelles afirmou que a melhor política é a tributação adequada e que a reforma deste setor precisará olhar os setores mais importantes onde de fato é necessário ter uma tributação menor. “Mas não se pode discutir isso num momento em que o país tem um déficit fiscal primário de R$ 124 bilhões no ano passado e R$ 159 bilhões previstos para este ano.” Ele afirmou que a reforma tributária terá ser a prioridade do próximo presidente. Sem isso, acredita que o país não vai parar de patinar.

Saída de Deschamps O governador Eduardo Moreira esclareceu à Coluna Pelo Estado que o secretário do Estado da Educação, Eduardo Deschamps, está deixando o cargo por decisão pessoal, por considerar que não teria tempo de se dedicar à pasta como deveria, ao mesmo tempo em que preside o Conselho Nacional de Educação. Deschamps era um dos nomes fortes do governo Raimundo Colombo. Será substituído por Gilberto Agnolin, indicado pelo próprio secretário atual e também pelo MDB de Chapecó.

Nas conversas de bastidores antes do começo do evento do LIDE se especulou sobre a possibilidade de mais mudanças no primeiro escalão. Um dos nomes apontados foi o de Rodrigo Moratelli, secretário estadual da Defesa Civil, indicado pelo deputado Milton Hobus (PSD). Outro foi o do presidente da Celesc, Cleverson Siewert, que, mesmo tendo sido indicado por Luiz Henrique da Silveira, se aproximou de Antonio Gavazzoni, do PSD e ex-secretário da Fazenda. Eduardo Moreira assegurou que não há qualquer movimentação neste sentido e que os dois estão fazendo um bom trabalho. “Não há razão para isso. A menos que eles peçam demissão”, disse.