Por: SC Portais

O presidente da Celesc, Cleicio Poleto Martins, anunciou que o orçamento previsto para 2020 em investimento e custeio é de R$ 1,2 bilhão. O executivo, que é do setor de energia, completou um ano à frente da empresa e foi reconduzido a mais um mandato pelo Conselho Administrativo, disse que o dinheiro será aplicado nas áreas de geração, transmissão e distribuição de energia, além nas atividades operacionais e de apoio, de projetos em pesquisa e desenvolvimento e eficiência energética. Martins, que já atuou na Tractebel, Vale e Engie, prevê um crescimento de 3,56% no consumo de energia este ano e afirmou que em 2019 a estatal fechará o balanço com lucro. De janeiro a setembro de 2019 registrou lucro líquido de 218,3 milhões, montante 17,9% superior ao mesmo período de 2018. Internamente, no entanto, empregados se dizem descontentes com sua gestão e temem que Poleto esteja encaminhando a Celesc para a privatização. No ano passado, a elétrica EDP Brasil, tornou-se a maior acionista, detendo 23,56% do capital social.

 

[Pelo Estado] – Como será a destinação dos recursos para investimentos?

Cleicio Poleto Martins – A aplicação dos recursos foi planejada de forma estratégica para atender o crescimento do mercado na área de concessão da Celesc, manter e melhorar os serviços e indicadores. Para isso, R$ 354 milhões serão destinados à compra de materiais e à contratação de serviços, enquanto R$ 833 milhões do capital à construção, ampliação e modernização de subestações do sistema de alta tensão e ampliação e melhorias nas redes dos sistemas de Média e Baixa Tensão. Também daremos continuidade ao Programa Celesc Rural, que substitui as redes monofásicas por redes trifásicas e instala cabos protegidos, com benefício direto aos produtores catarinenses, responsáveis por cerca de 30% do PIB estadual.

 

[Pelo Estado] – Qual a origem destes recursos?

Martins – A maior parte, R$ 529 milhões, são referentes a recursos próprios e de mercado, e R$ 304,2 milhões provém de empréstimo firmado junto ao Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), aplicados na ampliação, operação, modernização e manutenção do sistema elétrico.

 

[Pelo Estado] – Que segmento absorverá a maior fatia dos investimentos?

Martins – A maior parte, R$ 288,5 milhões, vai para o sistema de média e baixa tensão, na construção de alimentadores e extensão de redes, incluindo R$ 51 milhões destinados ao programa Celesc Rural. O segundo maior aporte, de R$ 152 milhões, será em máquinas e equipamentos para medição e manutenção do sistema elétrico. Em seguida, R$ 140,3 milhões serão aplicados no sistema de alta tensão, na construção, ampliação e modernização de subestações e na implantação de linhas de distribuição. Outros R$ 107,4 milhões vão para a expansão comercial, na ligação de novas unidades consumidoras, aquisição de medidores e walk-by para medição à distância, R$ 80,8 milhões em geração e novos negócios e R$ 64,3 milhões para suporte da operação (TI, frota de veículos, edificações, itens de segurança).

 

[Pelo Estado] – Qual a região do Estado que receberá a maior parte dos recursos?

Martins – A região Norte, com R$ 119 milhões, na ampliação da capacidade das subestações Mafra e Jaraguá do Sul Rio da Luz, e de melhorias na Subestação Joinville I. Também no programa Celesc Rural, na transformação de redes monofásicas para redes trifásicas e instalação de cabos protegidos. Em segundo lugar, a região do Alto Vale do Itajaí, com R$ 100 milhões, na ampliação da capacidade das subestações Blumenau Garcia, Blumenau Bairro da Velha e Ituporanga e no programa Celesc Rural na região.

 

[Pelo Estado] – Por que estas regiões são as mais contempladas?

Martins – No Norte porque é onde está o polo industrial do estado. As empresas, que até então estavam com capacidade ociosa em torno de 30%, voltaram a ligar as máquinas, haja visto o retorno do emprego no Estado. Precisamos garantir energia com confiabilidade para que elas gerem emprego e renda. Na região do Alto Vale, por conta do Celesc Rural, está prevista a instalação de 1,5 mil quilômetros de redes de energia.

 

[Pelo Estado] – Quais os projetos para a ampliação do parque gerador da empresa

Martins – Sim, os investimentos no sistema de distribuição incluem a ampliação do parque gerador como no aumento da potência instalada na usina Celso Ramos, no município de Faxinal dos Guedes, que passará de 5,6 MW para 13,9 MW. A obra, em andamento, está prevista para ser concluída no primeiro semestre de 2021. Também estão sendo desenvolvidos, em fase inicial, os projetos de ampliação da usina Salto Weissbach, em Blumenau, da usina Maruim, em São José, e da Usina Salto Caveiras, em Lages. Parte dos recursos também será destinada à conclusão de quatro novas subestações, ampliação de 17 subestações e a instalação de cerca de 1.500 km de rede do Programa Celesc Rural.

 

[Pelo Estado] – Quais são os programas inovadores desenvolvidos pela empresa?

Martins – Os desenvolvidos pelas áreas de Pesquisa e Desenvolvimento e Eficiência Energética, que buscam promover fontes alternativas de energia elétrica. Entre eles estão propostas aprovadas em chamadas púbicas, como as de iluminação pública eficiente e as voltadas à área de robótica. Temos os programas como o Bônus Eficiente, o Energia do Bem, o Banho de Energia e o Sou Legal, Tô Ligado, a ampliação da rede de eletropostos para melhorar a mobilidade elétrica no estado, além do treinamento e capacitação de profissionais utilizando a realidade virtual. Ainda na área da inovação, vamos implantar um projeto de cidade-piloto que terá automação de todos os medidores, tanto urbanos quanto rurais. O município escolhido foi Araranguá pelo número de unidades consumidoras cerca de 31 mil e perfil urbano e rural. Em P&D e Eficiência Energética, temos previsto R$ 42 milhões.

 

[Pelo Estado] – Quem é a “Cris” e como funciona esta campanha da Celesc que fala diretamente com o consumidor?

Martins – A ação, lançada em novembro de 2019, trouxe como porta-voz uma eletricista do quadro de empregados. A ideia é que, por meio do bordão “Fale com a Cris”, a eletricista Cristiane Layher compartilhe dicas sobre uso eficiente de equipamentos elétricos e consumo consciente de energia nos meses mais quentes do ano. Além de deter o conhecimento técnico, a profissional é muito querida por seus colegas e por clientes que vivem na região de Concórdia, área onde mora e atua. A Cris está inserida na Campanha Educativa de Orientação para o Consumo Consciente na temporada de verão 2019-2020.

 

[Pelo Estado] – Qual é a previsão de crescimento do consumo de energia para 2020? É maior do que o ano passado?

Martins – Para este ano, a projeção de crescimento é de 3,56%, variação inferior a de 2019 que chegou a uma alta de 4,3% principalmente em função das altas temperaturas do início do ano passado, que motivaram consumo recorde de energia em função do uso de aparelhos de ar condicionado.