Por: SC Portais

O novo secretário de Estado da Comunicação, Marcelo Mello Rego, concedeu uma entrevista exclusiva para a reportagem da Coluna Pelo Estado. Ele falou dos planos de trabalho para apresentar o máximo de resultados em um governo de curtíssima duração, pouco mais de dez meses, que o governador Eduardo Pinho Moreira tem em mãos. Formado em Engenharia, Economia e História, ele foi diretor de Comunicação e Relações Externas da Companhia Hering. Foi secretário de Comunicação Social da prefeitura de Blumenau, deputado estadual (1990 a 1994), diretor de Desenvolvimento Econômico no governo Paulo Afonso Vieira e diretor de Divulgação na Secretaria de Estado de Comunicação (Secom) nos dois mandatos do governador Luiz Henrique da Silveira. É principalmente desta fase que ele traz o aprendizado de valorizar todos os municípios de todas as regiões catarinenses.

“Comunicação com competência, experiência e muita motivação”

[PeloEstado] – Em seu discurso de posse o senhor falou que o convite para assumir a Secom o encontrou preparado para a tarefa. Quais os planos e as metas?
Marcelo Mello Rego – Não existe qualquer intenção de reinventar a roda. O governador Eduardo Moreira deixou clara a vontade de profissionalizar a comunicação do Estado, reunindo experiência, competência e muita motivação. Como são apenas dez meses, temos que fazer bem feito e melhor a cada dia. Não temos espaço ou tempo para erros. Por isso nos dedicamos à formação da equipe, que segue exatamente o tripé de experiência, competência e motivação, para de fato fazer a diferença. Ainda não tinha visto uma estrutura, em termos de organograma, como a que montamos agora, pensada para prestar o melhor serviço para os profissionais de imprensa e, com isso, a melhor informação para quem vive em Santa Catarina. E, é claro, cada profissional que estiver aqui, atuando conosco, deve ter a consciência da tarefa e do desafio de buscar se aprimorar sempre. É o que vai garantir que melhoremos a comunicação com todos os cantos do estado. De nada adianta centralizar o foco da Secom com a capital e os municípios-polo. É preciso irradiar as informações para todas as nossas cidades. A atenção será muito forte para o interior catarinense.

[PE] – De que forma?
MMR – Para isso estamos integrando a comunicação e vamos realmente exercer a liderança desse processo. Por exemplo, a área de comunicação das ADRs (Agências de Desenvolvimento Regional) falará a mesma língua que a Secom. Não é uma questão de deter o comando, porque a autonomia deve ser e será respeitada. Mas vamos dar a linha, a política.

[PE] – Isso vale também para as secretarias de Estado?
MMR – Sim. Problemas sempre vão existir. Cabe a nós sempre dar respostas rápidas, cuidar do cidadão, que é quem paga o imposto e espera o melhor de nossa parte. Agora mesmo (tarde de quinta-feira, 1º), está acontecendo uma grande operação das forças de segurança e nós, da Secom, estamos dando todo o apoio para melhor transmitir ao cidadão o que está sendo feito na área de Segurança. As duas áreas prioritárias do governador são Saúde e Segurança, sem deixar de dar atenção às demais, pois tudo está interligado. E essas duas áreas também estarão mais presentes no nosso foco da comunicação.

[PE] – A preocupação com conteúdo aumenta por estarmos em ano eleitoral?
MMR – Com certeza. Temos que ter todo cuidado com a Lei Eleitoral. Vamos cumpri-la, vamos estar muito atentos. Para isso temos um corpo jurídico aqui na Secom, para que nos assessore e nos aponte sempre o caminho mais acertado. Até porque este é o lema do governador Eduardo Pinho Moreira – governar com responsabilidade.

[PE] – O senhor vem da experiência de comunicação no governo Luiz Henrique, que investiu de diferentes formas na descentralização, valorizando o interior catarinense. É uma marca do MDB que deve ser mantida?
MMR – Eu diria que é uma marca de dois líderes, Luiz Henrique da Silveira, que infelizmente nos deixou, e Pinho Moreira, que estava junto com Luiz Henrique no governo, quando houve essa atenção especial aos municípios fora da faixa do litoral e aos de pequeno porte de um modo geral. Vamos continuar fazendo. São aprendizados que devemos levar para o resto da vida. E na área da comunicação esse é um ponto que vem sendo destacado pelo governador – olhar para todas as regiões. No governo Luiz Henrique, nós abrimos as portas para veículos de comunicação do interior, exatamente por sabermos da importância desses órgãos de imprensa para manter o contato com a sociedade, transmitir mensagens, fazer campanhas, prestar contas. Sem a chamada mídia regional, esse trabalho ficaria prejudicado.

[PE] – Este é um governo de continuidade desde 2003, quando Luiz Henrique tomou posse em uma grande aliança política Como marcar, pela via da comunicação, este novo momento?
MMR – É um novo momento, um novo governador e uma nova política de comunicação. Isso não quer dizer que vamos fazer grandes mudanças, mas estamos reunindo pessoas capacitadas que farão a diferença. Estaremos muito atentos ao interior, às áreas sensíveis do poder público, a exemplo de Saúde e Segurança, Educação, Assistência Social… o governador Pinho Moreira tem nos ouvido bastante e nos dando as condições para aprimorar a comunicação do Estado com a população, onde quer que ela esteja.

[PE] – Há espaço para campanhas institucionais conjuntas com outros poderes?
MMR – Temos que praticar o que a lei exige da Secom. Ela existe para divulgar, prestar contas e garantir acesso à informação. As parcerias com o Legislativo e o Judiciário em campanhas de esclarecimento para a população devem ocorrer, sim. Mas ainda estamos reunindo informações para ver o que tem de campanha em andamento, quais os limites impostos pela Lei Eleitoral, entre outras questões.

[PE] – O uso de novas mídias deve ser intensificado?
MMR – Vamos continuar investindo nesses canais, sim. O João Debiasi, meu antecessor, deixou um bom trabalho nessa área e uma equipe de profissionais que, inclusive, nós mantivemos. E vamos fortalecer, com uma Coordenadoria de Mídias Digitais. Vamos estar muito atentos às redes sociais e, especialmente, às chamadas fake news (notícias falsas), algo com o que os governos devem se preocupar. Para isso, cada vez ganham mais importância os veículos formais e de credibilidade.

[PE] – Santa Catarina entrou para a vitrine nacional como um estado diferenciado, com números positivos. Como pretende lidar com os veículos de comunicação de outros estados para manter em alta essa imagem?
MMR – Em pouco mais de uma semana à frente da Secom ainda não pude perceber essa demanda da imprensa de fora. Entretanto, o governador Pinho Moreira tem sido procurado e consultado sobre números do nosso estado. Hoje (1º) ele está em Brasília e o tema do encontro de governadores com o presidente Michel Temer é Segurança. Como Santa Catarina apresenta índices muito bons nessa área, certamente a imprensa nacional vai busca-lo como fonte. Agora, é preciso ter muito cuidado, porque os bons números nas várias áreas podem fazer parecer que tudo está às mil maravilhas e não é bem assim. Queremos, sim, manter a posição de um estado diferenciado, isso é importante, mas com muita preocupação de não estagnar, de evitar a acomodação. O governo Raimundo Colombo obteve grandes resultados e marcas, reconhecidas nacional e internacionalmente, o que nos traz uma responsabilidade ainda maior.