Por: Nelson Luiz Pereira

Meus leitores não encontrarão aqui uma homenagem à mulher. Tampouco uma definição. Mulher não se define, mulher ‘é’. Penso que, de forma geral, o homem ainda tem muito pouco a oferecer que seja digno de homenagem. Do pouco que sei, e do muito que busco compreender, já captei que o que ela espera do homem é liberdade, respeito e admiração. Ela bem sabe que, perante ele, continua em desvantagem. A começar pela própria data comemorativa. Instituiu-se o único 8 de março como o Dia Internacional da Mulher. Já ao homem dedica-se duas datas: 19 de novembro, como dia internacional e 15 de julho, como o dia nacional. Ela sabe o porquê de uma só data. Ele não sabe o porquê de duas.

Como disse, meu propósito, então, não é homenageá-la, mas refletir sobre sua condição. Vejam senhores, se nos reportarmos às características que dizem respeito à condição natural da mulher e do homem, perceberemos diferenças biológicas determinantes, mas também, diferenças culturais historicamente construídas por nós homens.

Pesquisas apontam que entre as ‘melhores coisas’ de ser mulher, a possibilidade de concepção aparece em primeiro lugar. Já, entre as ‘piores coisas’, destaca-se a subordinação aos homens. Por outro lado, entre as ‘melhores coisas’ de ser homem, vence a condição de não engravidar, não parir, não menstruar. Já, entre as ‘piores coisas’, aparece o papel, socialmente imposto, de provedor da família, o que, particularmente, não se coaduna com minha visão. De ambas as partes, são compreensíveis e naturalmente aceitáveis as diferenças quando reportadas as ‘melhores coisas’.

No entanto, devem ser repudiadas as diferenças quando aludidas as ‘piores coisas’, pois são essas que reprimem o processo de evolução e igualdade de nossa espécie enquanto ser social. Significa dizer que podemos sim, ser diferentes, mas é inconcebível sermos desiguais. E no Brasil, onde o Estado patriarcal não cuida das mulheres, o abismo da desigualdade ainda é considerável. É notório que avançamos em alguns direitos, mas se focalizarmos nossa Jaraguá, veremos que ainda são pífias as conquistas em quesitos importantes como, participação da mulher na política e, sobretudo, proteção. Nos destacamos em estupro e agressão.

Cavalheiros, agora atentem para o seguinte paradoxo: A despeito de elas serem comprovadamente mais escolarizadas que os homens, representarem praticamente a metade da população economicamente ativa, serem mais produtivas, possuírem cientificamente mais sensibilidade e habilidade em liderança, sua remuneração média é 30% inferior à dos homens.

Logo, podemos admitir que, se essa condição desigual foi historicamente promovida por nós homens, a luta pela igualdade deveria ser impulsionada muito mais por iniciativa nossa do que delas, não parece sensato? Só assim estaríamos reparando esse perverso déficit histórico. Só assim estaríamos prestando, de fato, uma autêntica e digna homenagem.