Por: Coluna Pelo Estado

Quando era pequeno, em Caibi, Mauro de Nadal tinha um sonho: dirigir Brasília. Não, não era dirigir o país como presidente da República. A Brasília dos sonhos era o carro da Volkswagen, que ele achava “muito chique”. Os anos se passaram, o guri cresceu e virou prefeito de Cunha Porã, por dois mandatos; deputado estadual, por três legislaturas; e nesta sexta (5) recebeu de presente a oportunidade de ser governador de Santa Catarina por 7 dias, em função das viagens de Carlos Moisés para participar da COP 26 na Escócia; e de Daniela Reinehr para a Expo Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. O presidente da Assembleia Legislativa entende que o gesto é, na verdade, um presente para todos os parlamentares catarinenses e simboliza o momento por que passam os poderes estaduais.Nesta entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, feita na Casa D’ Agronômica logo após a posse, o presidente da Assembleia Legislativa Mauro de Nadal relembrou os tempos de criança, passou pelo início da carreira política, quando foi prefeito de Cunha Porã até chegar a deputado estadual, destacou a convivência harmoniosa entre os poderes e projetou seu futuro político. Confira:

 

 

Qual a importância desse gesto do governador ao lhe transmitir o cargo, para que o senhor exerça o  Executivo por 7 dias?

Queria agradecer esse momento tão importante a nós conferido. Digo nosso porque esse gesto não é só em consideração ao deputado Mauro de Nadal e sim aos 40 deputadas e deputados do parlamento catarinense.  Esse é um momento ímpar na minha vida.  A ficha começou a cair na noite anterior à posse, quando o sono demorou a vir. Dai percebi o tamanho da responsabilidade e do que isto significa na nossa história e na nossa caminhada. Temos que destacar que o gesto praticado tanto pelo governador Carlos Moisés, quanto pela vice-governadora Daniela Reinehr, porque ambos estão em missão oficial, representando Santa Catarina em eventos importantes internacionais, que com certeza nos trarão grandes oportunidades de desenvolvimento para nosso estado e para as famílias que vivem aqui. Então, esse gesto é um grande reconhecimento, uma sinalização muito forte para selar esse momento de aproximação  e de continuidade harmônica.

 

Esse gesto simboliza a harmonia entre os poderes em Santa Catarina. O senhor entende que esta é a melhor fase na convivência entre os poderes desde a posse em 2019?

Eu não tenho dúvida que sim. Desde o início desde ano a atuação entre os poderes é algo totalmente diferente. Essa harmonia, essa boa conversa, esse diálogo na construção tanto por parte do Executivo, Legislativo e Judiciário e órgãos vinculados tem permitido que a gente consiga acertar mais e fazer com que o catarinense perceba esta harmonia em boas entregas para Santa Catarina. Então eu vejo que todo esse trabalho de construção, de condução, é que culminou em gestos tão importantes como esse, onde o governo pôde homenagear o parlamento catarinense. Reconhecer no parlamento a importância para o fortalecimento do estado catarinense.

 

O senhor não sentiu a ausência da vice-governadora?

A vice-governadora já está em preparativos para uma viagem onde vai representar o estado em Dubai, na Expo Dubai, onde também estará presente o presidente da República. A ausência dela na minha posse se justifica porque ela está nesses preparativos , já em São Paulo, de onde vai partir para essa viagem de extrema importância para Santa Catarina.

 

Em algum momento da sua vida política o senhor imaginou que ocuparia o cargo de governador do Estado?

Em momentos assim sempre passa um filme na cabeça, um filme de vivência, de história. Sou um guri nascido lá no interior de Caibi, na Linha São Jorge, onde a gente jogava futebol fazendo a bola com a bexiga do porco. Sai de lá bem pequeno, fui morar em Cunha Porã, e quando criança me perguntavam: qual o teu sonho? Meu sonho era ser motorista de Brasília. Uns achavam que era ser presidente da República. Não. Era dirigir uma Brasília mesmo, que era um carro tão chique, eu sonhava em ter uma. Enfim, numa caminhada que começou como engraxate e vendedor de picolé, sai para fazer a Escola da Magistratura e por incrível que pareça nunca fiz concurso de juiz. Não consegui porque no ano seguinte era 1998 e nós fomos para a eleição. E em 1999 meu nome começou a aparecer como possibilidade para ser candidato a prefeito de Cunha Porã, onde acabei vencendo para comandar uma cidade pequena, de 11 mil habitantes, a partir daí para o parlamento catarinense. Cá estou no terceiro mandato. E nunca me passou pela cabeça estar na presidência da Assembleia, quanto mais assumir o governo do estado, mesmo que por uns dias. Parece um sonho.

 

| Foto Júlio Cavalheiro/Secom

“Essa harmonia entre os poderes têm permitido que a gente consiga acertar mais e entregar mais a todos de SC”.

 

Qual a agenda que o senhor vai desenvolver à frente do Executivo estadual. O que está preparado para este momento?

Vamos dar continuidade à agenda estabelecida pelo governador Moisés e vou incluir também agenda na região do Extremo Oeste, também em respeito a todos os colegas do parlamento.  A nossa pretensão é fazer só acertos neste período em que estaremos como governador interino. Vamos continuar a fazer entregas e, como se diz na gíria, limpar a tinta da caneta do governador, uma caneta que recebi cheio de tinta.  Faremos o máximo para que Santa Catarina continue sendo bem falada em todos os cantos do Brasil. Mas o governador Carlos Moisés pode ter certeza de que não irei envergonhar a sua confiança e nem a da sua equipe. Aproveitarei cada minuto, cada segundo desses 7 dias que estarei no cargo. Vou dar continuidade ao excelente trabalho de entregas que esse governo já vem fazendo.

 

O que está marcado para os primeiros dias? Há alguma viagem programada para o interior de Santa Catarina?

Neste sábado (6) recebemos prefeitos na Casa D’Agronômica para discutir algumas políticas pontuais para o desenvolvimento regional. Essas reuniões seguem neste domingo (7) e nesta segunda (8) vamos continuar na agenda já pré-estipulada pelo governo do estado, onde teremos vários  eventos, inclusive recebendo autoridades internacionais. Na terça (9) segue o cumprimento desta agenda já definida e na quarta (10) à tarde iremos para o Oeste e Extremos Oeste. Será um mix de agenda política e agenda administrativa, uma agenda de governo. Uma agenda de entregas e realização de convênios de investimentos. Está ajustado a ida para Xaxim, Cunha Porã, Tunápolis, São Miguel do Oeste, São Lourenço do Oeste e Dionísio Cerqueira.

 

Qual a avaliação do seu ano como presidente da Alesc?

O nosso trabalho de gestão está dando resultados positivos. O propósito de cada vez humanizar a Assembleia Legislativa, levá-la cada vez mais para perto o encontro do cidadão e esse cidadão conhecer cada vez mais qual o papel de cada parlamentar, nós estamos conseguindo realizar. A transparência de todos os nossos atos é algo que pautamos e está dando resultado, como é o caso da implantação do SEI (Sistema Eletrônico de Informação), onde nós temos toda a tramitação interna de forma digital. Nesta quinta (4) assinamos com o TRF-4 um importante ato em que a Assembleia Legislativa faz todo o trabalho de gestão através de uma ferramenta muito bem desenvolvida de forma digital. São grandes passos, grandes avanços. Além disso, também, a implementação Ouvidoria da Mulher, da Procuradoria da Mulher, da Sala do Prefeito, da Sala da Defensoria Pública, tudo implementado ao longo deste ano. Essas políticas têm um único propósito: fazer com que o cidadão consiga acessar o seu parlamentar,entender um pouco dos serviços que a Assembleia Legislativa presta e, acima de tudo, ter na Alesc o seu grande porto seguro.

 

| Foto Júlio Cavalheiro/Secom

 

“Vamos manter a agenda de entregas pré-definida pelo governo, mas vamos viajar também para o Oeste de SC”.

 

Qual o seu futuro político? O senhor é candidato à reeleição?

Meu propósito é ser candidato novamente a deputado estadual, se assim a minha região entender importante. Já estou fazendo um trabalho de consulta a toda a base na região Oeste para ver se tenho este apoio. Nós temos na região dois pré-candidatos a deputado federal que já estão na estrada fazendo a construção da sua campanha. Nós temos três candidatos já à majoritária, que já estão correndo o estado, e neste momento não tenho outra pretensão a não ser candidato à reeleição.

 

Até que ponto o posicionamento do MDB de ter candidato à presidência da República reforça a decisão do partido em nível estadual de ter candidato ao governo?

O MDB como partido grande é quase uma obrigação ter candidato à presidência da República. Segundo turno é outra situação, mas no primeiro turno, o MDB precisa oferecer uma proposta ao brasileiro. E é claro que influência em todos os estados e em Santa Catarina não é diferente. E nosso estado vive um momento muito importante de muita reflexão e o MDB está inserido neste processo de reflexão, onde tenta traçar os rumos da caminhada política com os pés no chão, muita inteligência e muita articulação.

 

 

 

Ewaldo Willerding