Por: Coluna Pelo Estado

O deputado José Milton Scheffer (PP) tem a difícil missão de ser o líder do governo de Santa Catarina após dois processos de impeachment. Apesar do desafio, tem comemorado conquistas como a melhor fase na relação Executivo-Legislativo desde quando Carlos Moisés da Silva (PSL) assumiu o Centro Administrativo em 2019, sob o emblema da “nova política”. Passadas as turbulências, o parlamentar tem cumprido com méritos o papel de aproximar os poderes e construir uma ponte em nome das demandas da sociedade catarinense.

Com a experiência de dois mandatos de prefeito de Sombrio e três de deputado estadual, o engenheiro agrônomo prestes a completar 61 anos usa a principal virtude da política, o diálogo, para aproximar o governo da Assembleia Legislativa.

Nesta entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, Zé Milton, como é mais conhecido, fala sobre essa aproximação, as lições dos processos de afastamento, o enfrentamento da pandemia e do seu futuro político, assim como do governador.

Confira:

 

 

Desde o início do governo de Carlos Moisés da Silva essa é a melhor fase na relação com o Legislativo. Qual o balanço o senhor faz dessa relação e da sua atuação como líder do governo na Alesc?

O objetivo da liderança é aproximar o Executivo do Legislativo, sem tirar as prerrogativas de um e de outro. Mas também em promover o debate e o aperfeiçoamento das ações. Essa foi a missão dada pelo governador que, no meio do seu governo, entendeu a necessidade de haver uma interlocução mais forte aqui na Assembleia Legislativa, criar uma ponte de diálogo para que a grande vencedora desse processo fosse a sociedade catarinense. E nós estamos encontrando, tanto o governador como a sua equipe, muito abertos ao diálogo com o Legislativo.

 

E como foi a recepção entre os deputados desta nova ponte de diálogo?

Encontramos aqui na Alesc deputados entendendo a necessidade do diálogo, independentemente da bandeira partidária. Afinal, apesar dessa pandemia, a sociedade catarinense tem demandas que precisam ser atendidas. Chegou a hora de quebrar o retrovisor e olhar para frente. Precisamos deixar as bandeiras partidárias para a eleição do ano que vem e nos concentrarmos nas demandas da sociedade: saúde, educação, segurança, geração de emprego e infraestrutura, entre outras tantas. Essa pauta o governador tem construído em conjunto com os deputados e a aquiescência do presidente Mauro de Nadal (MDB), que tem sido um excelente interlocutor.

 

O senhor acha que o processo passado, como a instauração de dois impeachments, contribuíram para que o governador entendesse o papel do Legislativo e os deputados também entendessem a necessidade do diálogo?

Quando entramos num processo, saímos diferentes. Imagina o governador que passou por dois impeachments. Ele começou com um jeito novo de governar que trouxe resultados no início em algumas áreas, em outras nem tanto. O que eu vi foi o governo amadurecer. E o poder Legislativo também. Agora são duas instituições que têm focado nos resultados para o Estado. E nesse encontro de ações, o que vejo é que estão saindo obras do papel que estavam paradas há muitos anos. Por fim, entendo que, ao final, esses processos traumáticos acabaram provocando o entendimento do papel de cada um e uma relação de respeito, que vem sendo construída pelos dois poderes.

O governo Moisés não tem uma base partidária – bem ao contrário. Os partidos que votam a seu favor não o elegeram. O senhor acha que esse movimento tem a ver com esse entendimento, fruto de processos tão sensíveis?

A maioria dos deputados tem sentido nas comunidades que o debate ideológico cansou, a população quer resultados. E isso faz com que alguns deputados e partidos tenham entendido isso e apoiem o governo, e outros partidos mantenham essa visão diferenciada, que tem que existir. Essa diferença de forças é natural do parlamento, até necessário. Mas a grande parte dos deputados, que hoje formam a base, está focada numa política de resultados, principalmente neste momento de crise, onde o governo precisa estar pacificado e  focado no enfrentamento da pandemia.

 

Foto Agência AL

“A grande maioria dos deputados tem sentido nas comunidades a necessidade de resultados, principalmente neste momento de pandemia.”

 

Qual a sua avaliação sobre a atuação do governo do estado na pandemia e sobre o ritmo da vacinação?

A pandemia, como a própria palavra diz, afetou a todos, mas em Santa Catarina as políticas públicas implantadas mostram êxito, os números comprovam isso. A nossa taxa de letalidade é menor que em outros estados, o aumento no número de leitos de UTI – até hoje não perdemos ninguém por falta de leitos -, a interação entre governo do estado e prefeituras, balizados em dados técnicos, mostram uma eficiência no combate à pandemia. A vacinação está em nível crescente. Nas últimas semanas o estado aumentou em 75% o percentual de vacinados, de uma semana para outra. O governo trabalha para ter em outubro toda a população acima de 18 anos imunizada. E eu confio nesse planejamento porque até aqui tudo que foi planejado deu certo, sempre alinhado ao governo federal, e ainda temos recursos para comprar vacinas se assim for necessário.

 

Como o senhor vê  a atuação dos municípios nesse processo de imunização?

Nós temos equipes muito competentes nos municípios. Nós temos que pensar em municípios pequenos, e cito o exemplo de Paial, perto de Lages, onde nesse momento em que estamos fazendo essa entrevista tem gente vacinando. Esta é a maior campanha de vacinação feita em nossa história. Avalio como positivo todo o processo.

 

Qual a mensagem que o senhor passaria para a população neste momento?

A pandemia não acabou! As pessoas devem tomar todo o cuidado necessário como o distanciamento social, o uso de máscaras, higienização das mãos. Mais um pedido: vacinem-se! Todos que puderem, e até mesmo os que não quiserem, respeito ao próximo. Estamos vivendo uma pandemia em que ninguém é o dono da verdade. A ciência deu demonstração de competência muito grande. Em menos de dois anos estamos vacinando quase toda a população, mas a verdade absoluta nós ainda não temos.

 

Foto Agência AL

“A pandemia não acabou! Todos devem manter os cuidados necessários A ciência deu uma demonstração de competência muito grande.”

 

Para encerrar, qual seu futuro político? O senhor é candidato à reeleição?

O nosso projeto é ser mais uma vez candidato a deputado estadual. Entendemos que ainda temos muitas ações a realizar e com a experiência de prefeito e também na Assembleia pode contribuir muito com Santa Catarina.

 

 O senhor apoia a reeleição de Moisés?

O Partido Progressista está se articulando, ouvindo as bases. O governador Moisés tem direito de tentar a reeleição. Todos os governadores tiveram essa oportunidade. O governador tem se mostrado incansável após o último processo de impeachment. Tem interagido muito próximo da sociedade. Temos a expectativa de que isso vai colocar SC em novo patamar e esse trabalho o credencia a ser candidato.

 

Ewaldo Willerding