Por: Coluna Pelo Estado

O Brasil de forma geral, e Santa Catarina em particular, chegam a um ano no enfrentamento da pandemia do coronavírus com números que assustam, medidas governamentais desgastantes e comportamento da sociedade que, em muitos casos, estão longe do ideal. Na soma de todos os fatores, a vacina surge como a única forma palpável para encerrar um drama que faz aniversário, mas a julgar pela velocidade do desembarque das doses, outra carga de paciência deve ser aportada.

O Estado já soma mais de 700 mil casos confirmados desde março de 2020, com mais de 8 mil óbitos acumulados, mas também cerca de 670 mil recuperados. No total, menos de 500 mil doses de imunizantes chegaram ao aeroporto de Florianópolis e foram distribuídas aos municípios.

As medidas para mitigar os males da doença seguem quase que diariamente, mas pouco se avançará se cada um dos catarinenses não se conscientizar, de uma vez por todas, de que o melhor remédio é o cuidado que se deve tomar nas ações pessoais. Respeitar as regras de biossegurança, manter o distanciamento social, evitar aglomerações, enfim, normas básicas tão fundamentais para o sucesso da empreitada.

O governo do estado voltou a publicar decreto estabelecendo restrições diante de um quadro assustador de um sistema hospitalar no limite e parte da sociedade pede o fechamento geral das atividades por 14 dias. Um remédio duro, que vai trazer seqüelas graves na economia, com aumento do desemprego e fechamento de portas.

O lockdown exigido tem a finalidade de aliviar a pressão sobre o sistema hospitalar. Mas é uma medida radical, que poderia ser substituída por ações mais eficazes. Muitas delas ficaram no passado e não foram levadas adiante, com a construção de hospitais de campanha, por exemplo, que ofertaríam mais leitos aos catarinenses.

Chapecó deu exemplo neste sentido. Ao usar o Centro de Eventos para a construção de um hospital de passagem, garantiu espaço aos enfermos, sem precisar fechar os negócios. A iniciativa se concretizou porque o gestor público deixou de lado obras previstas e investiu recursos para salvar vidas. “Essa é minha maior obra, salvar vidas não tem preço”, resume o prefeito João Rodrigues, que reforça: “A população entendeu nossas ações e 90% respeita as regras. Nossos números começam a melhorar”, garante.

O exemplo está no Oeste, basta segui-lo. Não há necessidade de colapsar a economia. Basta realizar ações sensatas e chamar a responsabilidade de todos.

Ewaldo Willerding