Por: Coluna Pelo Estado

Mauro de Nadal queria ser Juiz de Direito. Aos 25 anos concluiu a Faculdade de Direito da Unoesc  de Chapecó e aos 27 se formou na Escola da Magistratura em Florianópolis. Mas o destino reservava outra trajetória para este catarinense nascido em 1971 em Caibi. A política atravessou seu caminho e aos 30 anos tornou-se pela primeira vez prefeito da vizinha Cunha Porã, para onde se mudou com a família aos seis anos. Com a dedicação que sempre marcou sua vida, comandou o pequeno município do Extremo Oeste do Estado, de pouco mais de 11 mil habitantes, de 2001 a 2008, em dois mandatos. A partir daí o sonho de adolescência ficou para trás e a carreira se consolidou: Secretário Regional , em Palmitos, em 2009; suplente de deputado estadual em 2010; eleito parlamentar catarinense em 2012 e reeleito desde então. No último dia 1º de fevereiro chegou ao ápice de sua caminhada ao assumir a presidência da Assembleia Legislativa, cargo que ocupará até o final do ano.
Nesta entrevista exclusiva à coluna Pelo Estado, Nadal fala dos desafios que terá à frente no novo posto.

Pelo Estado – O Governador Carlos Moisés veio à Alesc fazer a leitura da Mensagem Anual num clima de absoluta harmonia que em nada espelhava os dois últimos anos da relação entre os poderes. A que o senhor atribui essa mudança?
Mauro de Nadal –
 O governo Moisés se instalou com a filosofia vinda da eleição. A gente sempre respeitou, mas ao longo desse período percebeu que havia um distanciamento do parlamento. Por várias vezes o MDB levou essa mensagem: ‘não está certo este sistema, está travado’. Na Assembleia Legislativa, por mais que votássemos e aprovássemos os projetos do governo, não havia uma conversão. Isso dificultou muito. Agora, da metade do mês de dezembro em diante, o governo mudou radicalmente a filosofia de trabalho. Muito em virtude dos episódios que aconteceram  e a gente percebeu que foram contra a vontade do governador, que ele não sabia o que estava acontecendo.Pelo Estado –  Houve um amadurecimento por parte do governador?
Mauro de Nadal – 
É o que eu percebo. Ele entendeu  que o parlamento é importante, porque aqui nós somos em 40 deputadas e deputados, todos próximos não só do eleitor, mas do cidadão que vive nos mais variados pontos do estado. E esse cidadão passa suas sugestões, suas insatisfações, que são trazidas pelos parlamentares. Então, quando você tem 40 vozes que podem orientar o governo, é muito melhor do que você ter uma sala fechada.

Pelo Estado –  Mas este ano o Legislativo terá pautas importantes. O senhor acha que esta harmonia irá continuar?
Mauro de Nadal –
 A Assembleia Legislativa vai manter a sua independência na apreciação de todas as matérias. Mas não vai perder a harmonia. Nós vamos continuar num bom diálogo, que é isso que sustenta este parlamento. Será um ano muito desafiador, com a retomada do desenvolvimento pós-pandemia, temos que estar preparados para essa retomada.

Pelo Estado – A reforma da previdência será a pauta mais sensível?
Mauro de Nadal – 
A grande polêmica será a reforma da previdência, mas é algo que nós temos que enfrentar. Não é justo que o catarinense pague uma conta de quase R$ 5 bilhões por ano para aposentadorias. O culpado é o aposentado? Não. Ele trabalhou dentro daquilo que a legislação previa, contribuiu dentro da legislação, cumpriu a regra e ele tem o direito adquirido. Mas o que nós precisamos é de agora para frente é buscarmos chegar próximo do equilíbrio, para sobrar dinheiro para a saúde, educação, infraestrutura, etc.

Pelo Estado –  O senhor imagina muita pressão do servidor público?
Mauro de Nadal –
 Com certeza. A Casa vai permitir essa conversa. Vamos abrir espaço para todos os segmentos envolvidos para que a gente encontre o melhor texto possível. Não precisa ser algo para amanhã, pode ser para daqui a cinco, 10, 15, 20 anos, mas que dê resultado lá no final. Santa Catarina precisa ter resultado positivo no caixa, senão quebra.

Pelo Estado –  Qual outro projeto sensível para este ano?
Mauro de Nadal – 
A reforma administrativa. Será um grande desafio. Mas agora o governo já sentiu que aquela reforma enviada anteriormente não adiantaria. A gente sabia que muitas coisas não iriam dar certo. Então, agora, com a expertise de dois anos, acredito que esta reforma será com resultados mais positivos.

Pelo Estado –  Quais os pontos importantes desta reforma?
Mauro de Nadal –
 A questão dos portos e da SC Par, por exemplo. E eu tenho um posicionamento muito claro. Me pauto nos exemplos. Quando se falava na  privatização da telefonia todo mundo dizia: ‘vai faltar telefone, vai ser um absurdo’ e hoje a gente vê quem é que não tem telefone. Outro exemplo é o aeroporto daqui de Florianópolis. Quando passou para a iniciativa privada nós vimos a mudança. E agora o de Chapecó também vai passar para a iniciativa privada. Vejo com bons olhos essas privatizações.

Pelo Estado – O senhor que  é do oeste como vê a questão da infraestrutura?
Mauro de Nadal –
 Tem coisas que deixam o catarinense indignado. Dentro da balança econômica brasileira nós somos destaque e quando é para ter os investimentos do governo federal nós somos os últimos. E aqui tudo acontece a longo prazo, nunca é a curto prazo. Hoje temos grandes gargalos. O anel viário da Grande Florianópolis que não avança; a BR-470 e tantas outras federais como BR-282, a BR-158 que hoje estão com contrato em execução, mas a trote muito lento.

Pelo Estado – O senhor acha que sua posição pode ajudar?
Mauro de Nadal – 
Acredito que sim. Sendo trabalhado dentro daquela sintonia governo-parlamento serão dois poderes a bater na porta do governo federal e isso dará mais força com certeza. Mas, além das federais, temos ainda as rodovias estaduais que precisam ser vistas com atenção. E o governo tem respondido. Nós trabalhamos muito em bancada e a bancada do oeste tem sido muito ativa.Pelo Estado –  E com relação ao governo federal, qual a sua expectativa?
Mauro de Nadal – 
Eu vejo que a relação do governo com Santa Catarina vai sempre ser boa por conta dos votos que ele alcançou aqui nas urnas, aqui nós tivemos uma das melhores votações do presidente.

Pelo Estado – O ex-governador Pinho Moreira disse que o MDB tem que ter candidato ao governo. Qual a sua posição?
Mauro de Nadal –
 Não tem como o MDB não ter candidato ao governo do estado, pelo tamanho do partido. Nós temos diretórios em todos os 295 municípios, ainda somos o maior partido em prefeituras e em número de vereadores. Então como a gente vai dizer para um filiado, um simpatizante de que o MDB não vai ter candidato. E o nome de Dário Berger é natural, ele é nosso senador, mas temos nomes que não podemos desconsiderar, como o prefeito de Jaraguá do Sul, Antídio Lunelli; o ex-prefeito de Joinville, Udo Döhler; o presidente do partido, Celso Maldaner e o próprio Eduardo Pinho Moreira.

Pelo Estado –  Quando o senhor lembra do começo em Caibi e Cunha Porã, se imaginava algum dia ser presidente da Alesc?
Mauro de Nadal –
 O meu sonho na verdade era ser Juiz de Direito, fiz a escola da magistratura e até hoje nunca fiz concurso porque em 1998 fui para a política e em 1999 meu nome começou a aparecer como prefeito. Mas confesso que nunca sonhava em ser presidente da Alesc.

Ewaldo Willerding