Por: Andréa Leonora

Após reunião na manhã deste domingo,  29, com 21 prefeitos e presidentes das Associações de Municípios, 15 prefeitos das maiores cidades de Santa Catarina e a diretoria da Federação Catarinense de Municípios (FECAM), o governador Carlos Moisés (PSL) decidiu voltar atrás na decisão de romper o isolamento social e liberar o comércio em geral.

Nova decisão, segundo o governo catarinense, se dá por conta demora do governo federal em entregar “recursos  e EPIs”, além da demora para chegada de equipamentos para leitos de UTI que foram comprados pela Secretaria de Estado da Saúde.

Nos bastidores, a informação é de que Moisés tem sido pressionado pela ala do governo ligada ao presidente Jair Bolsonaro, o que incluiria também deputados ligados aos setores produtivos.

Na quinta-feira, 26, após nove dias do isolamento social decretado em Santa Catarina, o governador catarinense anunciou que daria início ao que chamou de  “abertura gradativa da atividade econômica”, permitindo a volta do funcionamento de shoppings, academias e do comércio em geral já a partir do próximo dia 1º de abril. A decisão foi tomada após apelo de entidades do setor produtivo, que em carta assinada por 50 associações e federações, cobraram atitude imediata para minimizar as perdas com a crise do coronavírus.

A decisão de Moisés, de reabertura do comércio, até foi bem recebida por setores que defendem o fim do isolamento, mas acabou rechaçada por parte da população que acredita que o Estado precisa seguir as orientações para prevenção contra a pandemia. Na sexta, 27, a hashtag #SCNãoQuerMorrer esteve entre os principais assuntos da internet. No mesmo dia, 53 entidades catarinenses das áreas de ciência e saúde lançaram manifesto contrário à retomada das atividades econômicas e aletrando os riscos para aumento de infectados por conta da decisão.

Logo após essa decisão, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro (DEM), disse que em Florianópolis o decreto municipal prevaleceria às decisões então anunciadas pelo governador e garantiu que não seria liberada a abertura do comercia e de estabelecimentos considerados não essenciais.

“Todas essas questões nos levam a uma posição muito tranquila de que temos que aguardar um pouco mais para colocar em ação o nosso plano de retomada das atividades econômicas. Precisamos estruturar melhor a nossa rede para que não tenhamos o risco de uma sobrecarga do sistema enquanto os equipamentos ainda estão chegando”, afirmou.

De acordo com o chefe do Executivo estadual, a retomada gradual de alguns serviços não essenciais depende da preparação do sistema de saúde para a crise do coronavírus. Essa organização está condicionada à chegada de recursos e EPIs por parte do governo federal, além de equipamentos para leitos de UTI que foram comprados pela Secretaria de Estado da Saúde.

 

Bolsonaro é isolado por governadores

O “afrouxamento” do isolamento social tem sido proposto pelo presidente Bolsonaro e tem mobilizado apoiadores na internet a pressionarem as administrações locais. No entanto, esse posicionamento tem sido seguido por uma minoria de governadores, incluindo Moisés —que agora voltou atrás— e os do  Mato Grosso e Rondônia.

Em Balneário Camboriú, cidade com o maior adensamento populacional do Estado, uma carreata chegou a ser realizada comemorando a decisão de liberar o comércio.

O discurso do presidente Bolsonaro, que neste domingo caminhou pelas cidades satélites de Brasília e voltou a defender o fim do isolamento social adotado nos estados, porém, ainda é rechaçado pela maior parte dos governadores. A maioria dos chefes dos Executivos tem trocado as articulações para prevenções nos estados e passaram a se reunir com presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

A mudança de atitude de Moisés, de manter o isolamento social, voltou a desagradar o bolsonarismo no Estado. Nas redes sociais e em grupos de Whatsapp movimentos para organização de novas carretas, agora contra a quarentena, começaram a ser organizadas.

O Estado solicitou ainda que os municípios não façam ações isoladas neste momento em que as ações precisam ser unificadas e estratégicas. Às 20 horas, deste domingo, a diretoria da FECAM vai abrir um canal de diálogo com com os prefeitos para debater o tema.

Por Fábio Bispo