Por: Andréa Leonora

Desde a manhã de domingo, 29, quando o governador Carlos Moisés (PSL) deu os primeiros sinais de que voltaria atrás na decisão de afrouxar a quarentena imposta em todo território catarinense —o que significa manter a ordem para fechamento de estabelecimentos não considerados essenciais—, mensagens em áudios enviadas por deputados em grupo privado da legislatura vazaram na internet.

 

Em um dos áudios o deputado licenciado Milton Hobus (PSD) chama o governador Carlos Moisés (PSL) de “idiota” e em outro Maurício Eskudlark (PR) eleva o tom para cobrar da líder do governo, deputada Paulinha (PDT), quais são as ações do Estado para conter o coronavírus.

 

Na primeira mensagem que começou a circular lgo na manhã de domingo, enviada pelo deputado Milton Hobus a um amigo em privado, o parlamentar critica a decisão do governador em manter a quarentena. Hobus, que também é empresário, diz que está articulando uma pesquisa com a Federação das Indústria de Santa Catarina (Fiesc) para levantar prejuízos com a decisão:

 

“Já articulei com todos poderes a partir de amanhã, porque esse idiota agora quer os poderes lá só para homologar e o Júlio [presidente da Alesc, Júlio Garcia (PSD)] me disse que nem ia para a reunião, só pra ir lá fazer papel de palhaço. Esse é o governo que o povo elegeu, num número, na sombra do 17, que não sabe o que faz e agora nós todos estamos pagando o preço, amigo”, diz trecho do áudio de Hobus.

 

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Na mesma mensagem, Hobus minimiza a crise da pandemia e diz que as pessoas saudáveis precisam voltar às atividades econômicas: “O índice de agravamento por ter coronavírus é quase nada, só aquele cara que está estrupiado(sic). Então aquele cara que está estrupiado, que é diabético, isso e aquilo, esse se cuida, se preserva. O velhinho, se preserva. Todo esse contingente de pessoas saudáveis têm que tá na atividade econômica”, diz no áudio.

 

Na sequência dos acontecimentos, já após o anúncio de prorrogação da quarentena, conversas do grupo da atual legislatura foram novamente vazadas para expor a líder do governo, deputada Paulinha (PDT). Em uma das mensagens o ex-líder do governo, deputado Maurício Eskudlark (PR), questiona a deputada sobre respostas do governador aos catarinense, sugerindo que Moisés nominasse locais e ações e diz: “parece que vocês estão brincando com a vida das pessoas”.

 

“Ele tem que vir e dizer quando que vão chegar os testes para agente examinar todo mundo. Tá sendo difícil explicar tudo isso? Esse negócio de meu querido, essas coisas, para com isso. Faz o governador dar uma resposta prática da situação”, diz trecho do áudio.

 

Ouça os áudios

Deputado Milton Hobus enviado a um amigo:

 

Deputado Eskudlark cobrando a líder do governo:

 

O que dizem os parlamentares

Procurado, Eskudlark confirmou a mensagem, mas frisou que ela foi vazada sem autorização. “De fato tem um grupo de ali de deputados que todo dia cobra ações do governo. Os poderes passaram R$ 58 milhões para a questão do coronavírus e o governador todo dia faz um papel de relações públicas que não deveria. Ele precisa dizer para onde estão indo os investimentos. Nós vemos O Anhembi sendo preparado, o Pacaembu, os governos se preparando e aqui não vemos nada disso. Nossa cobrança é nesse sentido”, afirmou à Coluna.

 

No mesmo dia, Hobus teria ido ao grupo e dito que seu áudio foi vazado por um dos parlamentares e que não se sentia mais à vontade de expor suas opiniões ali. Eskudlark confirmou a informação.

 

“Ninguém tem nada a esconder, mas é um grupo privado para os deputados debateram. Seria possível até analisar isso do ponto de vista da ética”, comentou. 

 

À coluna, assessoria da deputada informou que Paulinha não considera a cobrança do deputado “inoportuno”. A nota diz: “No calor e temperatura da crise que enfrentamos, sem precedentes, conflitos são naturais”.

 

A assessoria ainda informou que a deputada respondeu aos questionamentos do deputado prontamente, apontando as ações do governo para conter a crise, como a ampliação de 121 leitos de UTI adulto e mais 51 leitos extrateto, em hospitais que já mantém contratos com o Estado.

 

A deputada ainda informou a aplicação de R$ 80 milhões na aquisição de equipamentos, insumos e EPIs para servidores da Saúde.

 

A Assessoria do presidente da Alesc, deputado Júlio Garcia, citado por Hobus, informou que “ninguém está autorizado a falar em seu nome”.

 

Procurado, Milton Hobus não quis comentar suas declarações.

 

Nenhuma das fontes consultadas pela coluna soube informar a orgiem dos vazamentos, também não souberam antecipar se caberia processo por quebra de decoro, uma vez que seria necessária uma investigação mais aprofundada —já que as mensagens via aplicativo whatsapp são criptografadas— para identificar a autoria. .

Por Fábio Bispo