Por: Coluna Pelo Estado

Em entrevista coletiva na tarde deste sábado, na Casa D’Agronômica, o governador Caros Moisés (PSL) concedeu entrevista coletiva a jornalistas e comentou o resultado do processo de impeachment que o afastou do governo até o julgamento do processo que investiga o reajuste no salário dos procuradores do Estado.

Moisés disse que o julgamento foi político e que acredita na absolvição no julgamento final do Tribunal de Julgamento. “Não há justa causa no processo e o voto de quatro desembargadores demonstrou isso”, afirmou.

Em uma sessão que durou quase 17 horas, na madrugada deste sábado (23), Moisés acabou afastado do cargo por seis votos a quatro. Nesse período responderá pelo crime de responsabilidade. A vice-governadora Daniela Reinehr (sem partido) acabou poupada do afastamento pelo do deputado Sargento Lima (PSL), que votou pelo prosseguimento do processo contra o governador, mas não contra ela. No julgamento deste processo, serão preciso sete votos para a condenação de Moisés por crime de responsabilidade.

“Eu me dediquei muito a gestão pública e talvez não tenha me dedicado tanto a gestão política. Mas eu penso que, sim, é um período que me afasto da gestão e vou me dedicar a estabelecer esses elos com as lideranças políticas do nosso Estado. Tenho convicção de que esse processo deve ser arquivado, mesmo com o arquivamento e para isso, a gente precisa, de fato, dialogar com o parlamento e é isso que vamos intensificar”, afirmou.

Questionado sobre a relação com a ala bolsonarista do partido —a vice governadora é muito mais alinhada ao presidente Bolsonaro—, Moisés disse que mantém alinhamento com o governo federal e que isso pode ser evidenciado no estilo da gestão.

A gestão de Moisés foi marcada por conflitos com a ala mais ligada ao presidente Bolsonaro e por troca de farpas entre os chefes do Executivo estadual e federal. Nos últimos meses, o impeachment reaproximou Moisés e Daniela e também trouxe aliados importantes do presidente ao Estado, como o ministro da Cidadania Onyx Lorenzoni.

A denúncia contra Moisés e Daniela foi apresentada em janeiro deste ano pelo ex-defensor geral de Santa Catarina, Ralf Zimmer, que apontou crime de responsabilidade na equiparação salarial dos procuradores do Estado. Segundo o denunciante, o reajuste não poderia ter ocorrido sem aprovação de lei na Alesc. O pedido chegou a ser arquivado em fevereiro, no entanto, em maio, após o escândalo dos respiradores, que criou uma crise política no Estado, uma nova manifestação do Tribunal de Contas apontou ilegalidade no reajuste aos procuradores e viabilizou o desarquivamento da denúncia no parlamento.

Na próxima segunda-feira, 26, um novo Tribunal de Julgamento será formado no processo de impeachment que investiga a compra de 200 respiradores da China. Neste processo apenas o governador está arrolado. E mesmo que o governador seja absolvido no caso do reajuste dos procuradores, é possível que sofra novo pedido de afastamento neste segundo processo.