A Prefeitura de Governador Celso Ramos, na Grande Florianópolis, passou a ter um novo comando interino nesta semana. Em sessão realizada na Câmara de Vereadores, o vice-prefeito Aldir Rosa (MDB), conhecido como “Di”, assumiu oficialmente a chefia do Executivo municipal após o afastamento do prefeito Marcos Henrique da Silva (PL), o Marquinho, determinado pela Justiça no âmbito da Operação Pão e Circo, deflagrada pelo Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco).
A mudança ocorre em meio às investigações conduzidas pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), que apuram a atuação de um suposto esquema envolvendo empresários do setor de eventos e agentes públicos, suspeitos de fraudar licitações destinadas à contratação de shows nacionais em diversos municípios catarinenses. Segundo o MPSC, o grupo teria movimentado aproximadamente R$ 53 milhões em contratos públicos ao longo dos últimos anos.
Em nota oficial, a Prefeitura de Governador Celso Ramos informou que a transição administrativa ocorreu de forma institucional e que o novo prefeito interino iniciou reuniões de alinhamento com o secretariado para garantir a continuidade dos serviços públicos e o funcionamento da administração municipal.
Aldir Rosa tem 60 anos e é filiado ao Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Antes de assumir a vice-prefeitura, exerceu dois mandatos como vereador entre 2013 e 2020. Em 2020 integrou a chapa liderada por Marcos Henrique da Silva, eleita com 60,55% dos votos válidos. Nas eleições de 2024, ambos conquistaram a reeleição com 73,24% dos votos.
Até o momento, Aldir Rosa não havia se manifestado publicamente sobre possíveis mudanças administrativas decorrentes da operação. O ND+ informou que buscou contato com o prefeito interino, mantendo espaço aberto para futuras declarações.
Como surgiu a Operação Pão e Circo
A Operação Pão e Circo foi deflagrada pelo Gaeco na última terça-feira (7) para investigar um suposto cartel formado por empresários do ramo de eventos e agentes públicos. Conforme o Ministério Público, o grupo é suspeito de direcionar licitações, simular concorrência entre empresas e combinar previamente vencedores de contratos destinados à realização de shows artísticos financiados com recursos públicos.
Durante a operação foram cumpridos mandados de busca e apreensão em pelo menos 18 municípios catarinenses, além de medidas cautelares determinadas pelo Poder Judiciário, incluindo afastamentos de agentes públicos de seus cargos.
O Ministério Público ressalta que as investigações continuam e que os fatos ainda serão analisados ao longo da instrução processual, sendo assegurados aos investigados o direito ao contraditório e à ampla defesa.
Quem são os investigados
Entre os empresários investigados estão:
- José Clemir Spinelli (“Peixinho”), apontado pelo Ministério Público como líder do grupo e sócio das empresas Spinelli Produções/B7 Eventos;
- Maria Clara Martins, responsável, segundo a investigação, pela movimentação financeira das empresas;
- Carlos Eduardo Cunha (“Dudu Cunha”), empresário da DCX Eventos e vereador de Indaial, apontado como articulador de processos licitatórios;
- Eder Coelho, sócio da E3 Eventos, investigado por suposta participação na simulação de concorrências;
- Cleiciane Gomes, sócia da CJR Produções;
- Valmir Alberto da Silva (“Rey”), investigado por suposta articulação entre empresas participantes das licitações.
Também figuram entre os investigados os agentes públicos:
- Marcos Henrique da Silva, prefeito de Governador Celso Ramos, afastado do cargo por decisão judicial;
- Emerson Maas, ex-prefeito de Mafra;
- Pedro Augusto da Cunha, vereador e ex-presidente da Câmara Municipal de Governador Celso Ramos;
- Jadir Luiz de Souza, ex-prefeito de Abdon Batista.
Empresas citadas na investigação
Segundo o Ministério Público, são alvo das investigações as empresas:
- Spinelli Produções/B7 Eventos Ltda.;
- MC Mercantil Comercial Exportadora e Importadora Ltda. (CM7 Produções);
- Spinelli Produções e Eventos Ltda.;
- CJR Produções;
- KS Produções Ltda.;
- DCX Eventos Ltda.;
- E3 Eventos Ltda.
Até a publicação desta reportagem, Marcos Henrique da Silva informou que não irá se manifestar sobre o caso. Os demais investigados poderão apresentar suas versões dos fatos no decorrer do processo, conforme previsto na legislação.
Fontes: Ministério Público de Santa Catarina (MPSC/Gaeco) e reportagem do ND+.
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