Detran se pronuncia após operação que investiga fraude e ‘rachadinha’ em SC

O Departamento Estadual de Trânsito de Santa Catarina (Detran) se pronunciou na manhã desta terça-feira, dia 26, após a Operação Efeito Dominó, que investiga um suposto esquema de fraude e prática de ‘rachadinha’ em um edital de Chamamento Público do Detran. Ao todo, 21 mandados de busca e apreensão foram cumpridos, em seis cidades catarinenses, incluindo Criciúma.

Conforme o Detran, a operação partiu da própria direção do órgão. “Ressaltamos que todo e qualquer dado, documento ou indício de irregularidade identificado internamente foi, à época do início das investigações, prontamente direcionado à Corregedoria do Detran e aos órgãos de investigação competentes, como a Polícia Civil, para as devidas providências legais”, diz o comunicado.

O Detran garantiu que os suspeitos foram todos afastados de seus cargos assim que a presidência do Detran identificou indícios de irregularidades nas condutas dos servidores envolvidos. “A corregedoria do órgão continua atuando de forma permanente e integrada junto às forças policiais, contribuindo com as investigações e adotando todas as medidas administrativas necessárias para garantir a transparência, a legalidade e a integridade dos serviços prestados à população”.

Entenda a operação 

Segundo a Polícia Civil, as ordens judiciais foram expedidas em Criciúma, Içara, Florianópolis, Palhoça, São José e São Lourenço do Oeste, além de Vitorino, no Paraná. A ação foi coordenada pela Delegacia de Combate à Corrupção (Decor/Deic) e contou com a participação de 80 policiais civis.

Conforme a PC, o edital tinha como objetivo selecionar integrantes das Juntas Administrativas de Recursos de Infrações (JARIs), órgãos responsáveis por julgar recursos apresentados por motoristas contra multas de trânsito. As vagas seriam destinadas a entidades representativas de trânsito e pessoas de notório saber.

Porém, de acordo com a PC, o processo do edital teria sido manipulado por agentes públicos para beneficiar amigos e familiares, além de permitir que duas empresas privadas ocupassem as vagas destinadas exclusivamente aos representantes da sociedade civil.

Ainda conforme a PC, há indícios de fraude e desvio de parte dos valores pagos pelas sessões de julgamento, prática conhecida como ‘rachadinha’, em que recursos teriam sido repassados aos coordenadores do suposto esquema. As investigações seguem em sigilo e o material arrecadado será analisado pelas autoridades.