O estado de Santa Catarina liderou a criação de novas vagas em janeiro, com saldo positivo de 19 mil empregos formais. A indústria catarinense foi o setor que mais gerou novas oportunidades, com 15,9 mil postos de trabalho criados em janeiro, segundo dados do Novo Caged, divulgados nesta terça (3) pelo Ministério do Trabalho e Emprego. A despeito do resultado positivo, análise do Observatório FIESC mostra que esse indicador aponta desaceleração na comparação com janeiro de 2025, quando gerou um número maior de empregos formais.
“A indústria catarinense tem se mostrado resiliente, mas o movimento de desaceleração da economia frente ao cenário internacional incerto e à elevada taxa de juros e seus reflexos na concessão de crédito estão sendo sentidos pelo industrial”, avalia o presidente da Federação das Indústrias de SC (FIESC), Gilberto Seleme.
Os setores que se destacaram foram a construção civil, com 4,2 mil vagas e o setor têxtil, de vestuário, couro e calçados, com 3,5 mil. Na avaliação do Observatório FIESC, o dinamismo da construção civil tem contribuído para minimizar os impactos negativos do cenário macroeconômico sobre os empregos industriais. A construção civil catarinense tem características peculiares – graças à atratividade do litoral e à valorização de imóveis na região – e se diferencia do restante do país, onde o fator crédito tem impactos mais significativos.
As vagas criadas no segmento têxtil, de confecção, couro e calçados refletem uma resiliência do consumo das famílias. Segundo o economista Arthur Calza, apesar de positivas, foram inferiores às geradas em janeiro de 2025 dada a uma maior restrição do crédito. As exportações de carnes de aves e suínos em alta e também o consumo interno elevado em decorrência do aumento real da renda se refletiu na geração de 1,5 mil vagas no setor de alimentos. Número similar de empregos foram criados no setor de madeira e móveis, que ainda sente efeitos do tarifaço mas ensaia recuperação, com a conquista de novos mercados.
Outros setores
O segmento de serviços registrou saldo positivo de 3,5 mil empregos no primeiro mês do ano, e a agropecuária gerou 1,4 mil vagas no período. Já o comércio perdeu 1,8 mil vagas, um efeito esperado da sazonalidade.






