Mesmo com expectativa de boa safra, preço preocupa produtores de arroz no Sul de SC

As regiões da Associação dos Municípios da Região Carbonífera (AMREC) e Associação dos Municípios do Extremo Sul Catarinense (Amesc) devem manter um desempenho elevado na produção de arroz nesta safra. Até o momento, a área cortada alcançou entre 15 e 20%. A expectativa é de uma colheita próxima de 8.500 quilos de arroz por hectare.

O volume pode não superar o recorde histórico registrado no ano passado, mas a produtividade é considerada excelente e anima os produtores que estão diante de um cenário de preços baixos.

“A única saída é colher bastante. Ter uma boa produtividade para dar uma compensada nos preços baixos. Hoje o preço que está sendo pago é de R$50 por saco, muito abaixo do custo de produção, que as estimativas apontam ser de R$80 por saco. A conta não fecha. É um cenário bastante preocupante para o produtor de arroz”, afirmou o extensionista rural da Empresa de Pesquisa Agropecuária e Extensão Rural de Santa Catarina (Epagri) e especialista em grãos, Douglas Oliveira.

A colheita nas regiões deve seguir até final do mês de abril, levando em consideração algumas áreas que ainda têm bons volumes para colher e outras que estão atrasadas.

Super safra no Mercosul e retorno da Índia pressionam valores

O especialista explicou que existem uma combinação de fatos que impactam no preço, mas o que mais interfere é a produção nacional. Segundo ele, o Brasil não é um grande exportador de arroz e o volume produzido é muito próximo do consumido. “Se houver super safra, terá muita oferta e o preço cairá. Se houver frustração ou baixa área plantada, diminui a oferta no mercado e o preço sobe”, detalhou.

Neste ano, além da alta produção brasileira, países do Mercosul registraram super safra e ampliaram a oferta global. Já a Índia, maior exportadora mundial de arroz, que estava com exportações restringidas, o que elevou os preços internacionais, retomou as vendas na última safra, aumentando novamente a oferta e causando a queda nos preços.

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O que tem favorecido a superprodução? 

Oliveira explicou que o clima favorável é o grande fator para a superprodução nas regiões. Para essa safra, o clima iniciou ruim, mas depois melhorou, com muito sol e a recuperação das lavouras.

Além disso, ele pontuou que o produtor tem investido bastante. “O padrão tecnológico da lavoura catarinense está muito alto. Nos últimos sete anos a nossa produtividade aumentou mais de uma tonelada média. É uma coisa espetacular, um crescimento significativo. Durante um tempo a gente teve uma estagnação no crescimento da produtividade, que estava ao redor de 7.400 quilos por hectare. Nos últimos anos, nenhuma delas baixou de 8 mil”, frisou.

Confira os dados da evolução de produtividade (kg/ha) nas duas regiões nos últimos anos: