Santa Catarina reduz homicídios e roubos e registra melhores números desde 2008

Santa Catarina registrou queda nos principais indicadores de criminalidade em 2025, com melhora em 11 dos 14 itens monitorados pela Secretaria de Segurança Pública. Dados apresentados pelas forças de segurança na manhã desta terça-feira, dia 13, mostram diminuição expressiva em crimes como roubos e homicídios, com avanços históricos no combate a facções criminosas e na apreensão de drogas e armas.

Entre os destaques estão os roubos a instituições financeiras, que caíram 75% em relação a 2024, passando de quatro para apenas um caso. Os furtos em instituições financeiras também recuaram, com 44 registros em 2025, uma redução de 19,8% na comparação com o ano anterior, que teve 54 ocorrências.

Os roubos de veículos somaram 662 casos, contra 790 em 2024, queda de 16% e o melhor número desde 2008. Já os furtos de veículos diminuíram 8,4%, passando de 6,7 mil para 6,1 mil registros. No total, os roubos em geral caíram 17,4%, de 5,9 mil para 4,8 mil casos, enquanto os furtos recuaram 6,2%, saindo de 108 mil para 101 mil ocorrências.

Roubos de veículos registraram melhor número desde 2008.
(Foto: Fabrício Júnior/Arquivo/Engeplus)

No crime de estelionato, foram 103 mil registros em 2025, 3,4% a menos em relação aos 107 mil do ano anterior. Do total, 71% ocorreram em ambiente virtual.

Segundo a Secretaria, desde 2017 há uma mudança no perfil criminal, com queda contínua dos roubos e crescimento dos golpes, especialmente digitais. A avaliação é que o estelionato oferece menor risco ao criminoso, já que evita o confronto direto com vítimas ou forças policiais. Um dos casos que repercutiu ocorreu em fevereiro de 2025, quando golpes que pediam transferências via Pix em nome do jogador Neymar.

Na área da violência doméstica, o estado registrou 74,1 mil ocorrências em 2025, contra 75,8 mil em 2024, redução de 2,2%. Os feminicídios somaram 52 casos, um a mais que no ano anterior, o que representa aumento de 2%, mas ainda 12,6% abaixo da média dos últimos anos. Todos os casos foram apurados: 98% solucionados e 2% encerrados após apresentação espontânea dos autores.

As mortes violentas, que englobam homicídio, feminicídio, latrocínio, lesão corporal seguida de morte e mortes por intervenção legal de agentes do Estado, totalizaram 622 em 2025, uma queda de 9,7% em relação a 2024, quando houve 689 registros. A taxa foi de 7,6 mortes a cada 100 mil habitantes, abaixo dos 8,5 do ano anterior.

Os homicídios caíram 16%, de 513 para 429 casos, atingindo a taxa de 5,2 por 100 mil habitantes. Entre os indicadores com leve aumento estão os latrocínios, que passaram de 17 para 18 casos (alta de 6%), e as mortes por intervenção legal de agentes do Estado, que cresceram 26% em relação a 2024.

De acordo com os dados, 75% das pessoas mortas em confrontos possuíam antecedentes criminais, em sua maioria por crimes graves, como tráfico de drogas e homicídios. O aumento também é associado à ampliação das operações policiais. A avaliação das forças de segurança é de que nenhuma morte é desejada, mas que o policial reage quando o criminoso opta pelo confronto.

SC registrou mais de 74 mil casos de violência doméstica em 2025.
(Foto: Divulgação)

Apreensão de drogas

Na repressão ao tráfico, foram apreendidas 82 toneladas de maconha, 1,9 tonelada de cocaína, 91,8 mil comprimidos de ecstasy, 31,1 mil micropontos de LSD, 6 mil pés de maconha, 1,3 mil frascos de lança-perfume, 307 quilos de crack e 232 quilos de haxixe. Também foram retiradas de circulação 2,3 mil armas de fogo.

Somando todos os indicadores, dos 14 itens apresentados, 11 tiveram melhora, sendo sete os melhores resultados da série histórica desde 2008. Três apresentaram pequenos acréscimos, como latrocínio, feminicídio e mortes por intervenção legal.

Atuação da Polícia Militar

A Polícia Militar atendeu mais de 3 milhões de ligações pelo 190 em 2025 e respondeu a 801 mil ocorrências, números 5% maiores que em 2024.

O comandante-geral, coronel Emerson Fernandes, destacou o fortalecimento das ações preventivas, especialmente a Rede Catarina, programa de combate à violência contra a mulher. “Foram realizadas quase 24 mil visitas preventivas, e nenhuma mulher atendida pelo programa foi vítima de feminicídio. Após a ativação do botão do pânico, ocorreram 168 prisões em flagrante”, destacou.

Atualmente, há 17,3 mil mulheres cadastradas, com quase 600 novos cadastros apenas nos primeiros 11 dias de janeiro. O resultado foi associado a uma campanha do governo estadual, com participação do lutador de MMA Fabrício Werdum.

O coronel reforçou também que toda intervenção policial com morte é um desfecho indesejado. “Ninguém deseja matar. A reação ocorre quando há confronto direto”, destacou.

Em 2025, a PM registrou aumento de 15% no número de operações, além do aumento das ocorrências atendidas, que passaram de cerca de 700 para mais de 800 mil. Também foi identificado inúmeros integrantes de facções criminosas de estados do Norte e Nordeste para Santa Catarina.

Investigações e combate às facções

O delegado-geral da Polícia Civil, Ulisses Gabriel, destacou o avanço das investigações e o foco no enfrentamento ao crime organizado. “Fizemos estudos profundos de facções criminosas, com duas grandes operações de inteligência: a Tapê, que analisou a fronteira Norte de Santa Catarina, e a Minuano, que monitorou a fronteira e as divisas do Sul do Estado”, frisou.

Segundo ele, o trabalho da Polícia Civil catarinense tem sido reconhecido no Brasil e no mundo. “Queremos ser a melhor polícia investigativa do país, pois a melhor PM e os bombeiros mais eficientes são os de Santa Catarina”, disse.

Outro ponto destacado foi o bloqueio de mais de R$ 4,5 bilhões de facções criminosas. “Não adianta só prender, temos que quebrar a organização criminosa. Quando descapitalizamos, quebramos a estrutura. Todo dinheiro de lavagem é convertido em recursos para o Estado, por meio da Delegacia de Recuperação de Ativos”, detalhou.

No enfrentamento aos golpes, a Polícia Civil fortaleceu as delegacias especializadas em estelionato e fraudes. Atualmente, há unidades em Joinville, Blumenau e Florianópolis, com previsão de criação de outras cinco, incluindo Criciúma, além de Itajaí, São José, Palhoça e Chapecó.