A corrida pelas duas vagas ao Senado Federal em Santa Catarina está longe de encerrada. Ao contrário: os números da pesquisa do Instituto Mapa, encomendada pela Jovem Pan News, mostram um cenário de disputa real, competitiva e ainda em movimento. No consolidado de 1º + 2º voto, o levantamento apresenta a seguinte posição: Carlos Bolsonaro 46,7 Caroline de Toni 43,9 Esperidião Amin 43,8 e Décio Lima 19,3
A fotografia é clara: pela margem de erro, três candidatos estão tecnicamente empatados na faixa de frente. Isso significa que, hoje, a eleição para o Senado em Santa Catarina não tem desfecho fechado. Tem favoritos momentâneos, tem blocos políticos nítidos, mas segue aberta — e dependerá muito da capacidade de cada candidatura de capturar o eleitor nas próximas etapas da campanha.
Quando se olha o primeiro voto, Carlos Bolsonaro aparece liderando com 29,7%, seguido de Caroline de Toni com 22,6%, Esperidião Amin com 21,0% e Décio Lima com 11,5%. Já no segundo voto, o cenário muda de forma importante: Esperidião Amin lidera com 22,8%, Caroline de Toni tem 21,3%, Carlos Bolsonaro marca 17,0% e Décio Lima fica com 7,7%.
Essa divisão ajuda a explicar a lógica da disputa. Carlos Bolsonaro parece concentrar mais força de largada e identidade de voto principal. Caroline de Toni mostra densidade consistente nos dois campos. Esperidião Amin, por sua vez, demonstra forte capacidade de ser absorvido como alternativa no segundo voto — algo decisivo em uma eleição de Senado, onde o eleitor pode compor seu raciocínio de forma mais estratégica. Já Décio Lima mantém presença, mas ainda distante do bloco principal, dependendo de crescimento e de eventual fragmentação maior do campo adversário.
Politicamente, o quadro também conversa com o momento do estado. O PL consolidou a chapa pura com Carlos Bolsonaro e Caroline de Toni, reforçando a estratégia de ocupar as duas vagas com nomes do mesmo campo político. Ao mesmo tempo, Esperidião Amin manteve sua pré-candidatura, recusando sair do jogo mesmo após a definição do PL, o que preserva uma divisão importante no eleitorado da direita e do conservadorismo catarinense.
É justamente por isso que a eleição segue em aberto. Se o PL consolidar sua chapa e conseguir evitar dispersão, pode transformar força de grupo em ocupação dupla. Se Amin ampliar sua capacidade de capturar o segundo voto e crescer no primeiro, volta com muita força ao centro da disputa. E, se houver mais fragmentação no campo conservador, abre-se espaço para que Décio Lima tente crescer como alternativa fora da bolha petista tradicional.
No fim, a pesquisa mostra mais do que números: mostra um tabuleiro vivo. E em eleição para o Senado, onde dois assentos estão em jogo e a matemática do voto é mais complexa, qualquer movimento estratégico pesa.
Pesquisas retratam momento. E o momento, em Santa Catarina, indica uma disputa forte, embolada e sem cadeira garantida para ninguém.





