Vídeos, roupas e boné foram decisivos na investigação do caso do cão Orelha

A Polícia Civil de Santa Catarina divulgou os detalhes da investigação que levou à identificação do adolescente responsável pela morte do cão Orelha, ocorrida na Praia Brava, em Florianópolis. As informações foram apresentadas por meio de um infográfico publicado pelo delegado-geral Ulisses Gabrielque detalha o passo a passo do trabalho policial e os principais elementos que embasaram a responsabilização do autor.

Conforme a Polícia Civil, não existe vídeo do momento exato da agressão contra o cão Orelha. “O material publicado em um grupo de porteiros da Praia Brava trata-se de uma foto que identifica adolescentes que estariam perturbando a vizinhança. Essa imagem foi apagada do grupo logo após a abordagem de parentes. A Polícia Civil conseguiu resgatar o material apagado”, diz a nota.

A Polícia Civil explicou ainda que um vídeo de agressão a um cachorro na Praia Brava refere-se ao cão Caramelo. “Neste caso, há imagens de adolescentes levando o animal ao mar e vídeos de adolescentes jogando-o em um condomínio, por um muro de cerca de 1,5 metro. São adolescentes diferentes do caso do cão Orelha, que também foram responsabilizados”, informou a Polícia Civil.

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Cão orelha

A Polícia Civil também detalhou os motivos pelos quais as investigações não foram encerradas antes. “Por se tratar de adolescente e em razão do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), a Polícia Civil não poderia efetuar prisão. Diante disso, foi necessário montar um quebra-cabeça com mais de mil horas de imagens, dados de localização, testemunhos, provas e a causa da morte do cão Orelha. Tudo isso sem que houvesse vazamento de qualquer indício sobre a autoria, já que o adolescente estava nos Estados Unidos”, afirma a nota.

O adolescente permaneceu fora do Brasil até o dia 29 de janeiro, quando a Polícia Civil interceptou sua chegada no aeroporto de Florianópolis. “Naquele momento, um familiar tentou esconder um boné rosa que estava em posse do adolescente. Durante a revista da mala, a delegada do caso foi abordada pelo parente, que tentou justificar a compra de um moletom durante a viagem à Disney. Além disso, ao longo do depoimento, o adolescente se contradisse e mentiu em diversos momentos”.

Confira os 10 pontos que levaram a Polícia Civil à identificação do autor da morte do cão Orelha:

1 – Testemunhas do dia e local dos fatos;
2 – Confirmação, por meio de imagens, de que as testemunhas estavam no local e no horário indicados;
3 – Análise da geolocalização do telefone do autor por meio de software francês;
4 – Confirmação, por câmeras de monitoramento, de que o autor estava no local e no horário do crime;
5 – Contradições e mentiras no depoimento do adolescente sobre sua localização;
6 – Registro da portaria eletrônica do prédio indicando o horário de entrada e saída do adolescente;
7 – Boné rosa utilizado no dia do crime em posse do autor;
8 – Moletom utilizado no dia do crime em posse do autor;
9 – Coação por parte de familiares do autor contra testemunhas;
10 – Uso de software israelense para recuperação de dados apagados dos celulares dos investigados.