Operação do Gaeco investiga Prefeitura de Criciúma por possível fraude em licitação pública

Uma operação do Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas (Gaeco) está investigando supostas fraudes em um processo licitatório da Prefeitura de Criciúma. A ação, denominada ‘Aurantium’, foi deflagrada na manhã desta sexta-feira, dia 30. Cinco mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas dependências do Executivo municipal.

Segundo o Ministério Público de Santa Catarina (MPSC), a investigação apura irregularidades em uma licitação realizada em 2023, para a concessão de uso de um espaço público localizado em uma praça, que seria explorado comercialmente por uma empresa privada. Em troca, a vencedora do processo deveria pagar mensalmente um valor ao município.

O problema é que a licitação pode não ter ocorrido de forma justa. Conforme o MPSC, as apurações indicam que a disputa entre as empresas pode ter sido manipulada, com favorecimento à empresa vencedora, prejudicando a igualdade de condições entre os participantes.

De acordo com o MPSC, entre as suspeitas levantadas estão o uso de uma empresa ‘laranja’, quando pessoas são colocadas formalmente como sócias apenas para esconder quem realmente controla o negócio, além de simulação societária e acesso a informações privilegiadas antes ou durante o processo licitatório.

O edital da licitação proibia a participação de empresas ligadas a servidores públicos, agentes políticos ou parentes dessas autoridades. No entanto, segundo o MPSC, foi identificado que um dos sócios da empresa vencedora seria servidor público do município desde 2021, informação que teria sido omitida para driblar as regras do certame.

Conforme o MPSC, a investigação também apura um possível subfaturamento, ou seja, há suspeita de que a empresa vencedora estaria pagando um valor abaixo do praticado no mercado para explorar o espaço público, o que poderia gerar prejuízo aos cofres da Prefeitura. Agentes públicos e privados estão entre os investigados.

Operação Aurantium

O nome da operação tem origem do latim e significa ‘laranja azeda ou ‘laranja amarga’. O termo faz referência ao suposto uso de empresa de forma fraudulenta, prática conhecida como empresa laranja, usada para ocultar responsáveis e mascarar atividades ilícitas. Os materiais apreendidos foram encaminhados à Polícia Científica para exames periciais.

Prefeitura de Criciúma se manifesta

O Governo de Criciúma informa que a apreensão de documentos ocorrida na manhã desta sexta-feira (30) no Paço Municipal Marcos Rovaris diz respeito a um contrato firmado em 2023. A Administração Municipal forneceu toda a documentação solicitada e está à disposição para contribuir com as investigações.